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Governo nega existência de fraude eleitoral
26-Jan-2006
Dra. Maria Cristina Lima, Ministra-adjunta do Primeiro-ministroO Governo de Cabo Verde admitiu hoje «algumas insuficiências» no processo eleitoral das legislativas de domingo passado, mas negou a possibilidade de qualquer fraude eleitoral.

A ministra-adjunta do primeiro-ministro e da Justiça garantiu que «não há razões para manchar o bom nome de Cabo Verde» no que toca às eleições legislativas do passado dia 22 de Janeiro.
Cristina Fontes, na qualidade de porta-voz do Governo, reagia às declarações do líder do Movimento para a Democracia (MpD, maior partido da oposição), Agostinho Lopes, que afirmou hoje que nas eleições de 22 de Janeiro houve a «maior fraude eleitoral realizada» no país, anunciando que vai impugnar o acto eleitoral e exigindo a sua repetição.

A governante explicou que no que respeita à emissão de documentos foram emitidos 30.395 bilhetes de identidade e cerca de 2.500 foram para a diáspora.

«Estamos tranquilamente à espera que se prove a emissão de 74 mil bilhetes de identidade falsos» - número referido pelo líder do MpD no momento em que afirmou ter havido uma «fraude gigantesca» nas legislativas -, disse a responsável.

«Quanto aos cartões de eleitor procedeu-se conforme a lei e não vemos razões para que o líder da oposição perdedora possa agora vir manchar o bom de Cabo Verde», disse.

Cristina Fontes adiantou ainda que o Governo está tranquilo e que «as instituições funcionam», sublinhando que «as reclamações nos prazos certos e as impugnações conforme a lei têm cabimento na legislação e, com certeza, as instituições pronunciar-se-ão sobre essa matéria».

A governante admitiu, no entanto, que houve algumas «insuficiências» no processo eleitoral, nomeadamente quanto à questão da constituição das mesas de voto, onde se verificou atrasos dos elementos que as compunham, e que houve «pessoas que se recensearam sem documentação».

Mas a Comissão Nacional de Eleições entendeu que deveria extrair dos cadernos eleitorais todos os cabo-verdianos com naturalidade estrangeira para que esses cidadãos depois fizessem a prova da nacionalidade.

Cristina Fontes afirmou que os documentos foram distribuídos a tempo, mas caso haja alguma irregularidade ela deverá ser apurada.

A ministra da Justiça e porta-voz do executivo de José Maria Neves defendeu que Agostinho Lopes não vai conseguir provar as suas acusações e disse que, caso isso aconteça, «terá de responder criminalmente por injúria e difamação».

Entretanto, o presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Bartolomeu Varela, afirmou hoje que não há razões para a impugnação das eleições legislativas de 22 de Janeiro.

O presidente da CNE admitiu a existência de «insuficiências», mas no seu entendimento tal não põe em causa os resultados das eleições.

Sobre a acusação do MpD, Bartolomeu Varela garantiu que «não há irregularidades que possam pôr em causa as eleições».

Bartolomeu Varela recordou que essas «insuficiências» foram, inclusive, reconhecidas pelos observadores estrangeiros que assistiram às legislativas de 22 de Janeiro.

O governo considera que o povo deu uma lição de maturidade e civismo e que a oposição presta um mau serviço à Nação ao querer levantar suspeitas de fraude nas eleições legislativas.

Diário Digital / Lusa
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