Cabo Verde
Carlos Veiga: "Serei um presidente activo" | Carlos Veiga: "Serei um presidente activo" |
| 29-Jan-2006 | |
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Correio da Manhã – Porque é que se candidata pela segunda vez? Carlos Veiga – Porque tive muitos apelos neste sentido da parte de gente que tem muita esperança e confiança em mim. Porque acho que posso dar uma contribuição relevante para melhorar a qualidade da democracia e ajudar no desenvolvimento do país. – Entre si e o candidato Pedro Pires onde está a diferença? – Há diferença sobretudo na matriz da qual cada um de nós parte. A minha matriz é democrática, é baseada na Constituição, da qual fui um dos autores. O meu adversário não gosta desta Constituição, não se sente à vontade com ela. Ele [Pedro Pires] trata as questões da Presidência da República num contexto em que não considera a Constituição como fundamental. Eu considero que a Constituição é fundamental. Por isso, em certas situações, temos comportamentos diferentes. Se eu entendo que uma actuação qualquer de um órgão do Estado cabo-verdiano viola a Constituição, por mais considerações políticas que eu faça, por mais opções políticas que tenha, eu tenho de travar esse processo porque está a violar a Constituição. Ele entende que não. Ele aceita violações da Constituição com fundamentos políticos, eu não aceito. Eu entendo que a Constituição exige um presidente activo, não um presidente que invada a esfera do governo, mas um presidente que exerça plenamente os poderes que a Constituição lhe dá. – Se vencer, a sua actuação não entrará em choque com o governo do PAICV, que venceu as legislativas com maioria absoluta? – A classe política e a sociedade civil cabo-verdiana têm dado provas de maturidade e bom senso. Nas eleições legislativas do passado domingo, os cabo-verdianos escolheram de novo o PAICV para continuar a governar. Os cabo-verdianos sabem escolher nas autárquicas pelo trabalho demonstrado pelos autarcas, nas legislativas pela confiança nos partidos e nas presidenciais pela personalidade individual de cada candidato. Apesar de poder haver uma transição de votos das legislativas para as presidenciais, mesmo assim acredito que tenho condições para ganhar as próximas eleições. – Um regime presidencialista não estaria mais adequado ao seu estilo político? – Nem pensar. Tenho muito receio da concentração de poder numa única pessoa, porque pode corromper. A melhor forma de evitar isto é haver um jogo de controlo mútuo. O sistema que temos é bom. Não gostaria de ver o sistema presidencialista no país, nem ser presidente neste sistema. ALERTA CONTRA A FRAUDE “Desde o dia seguinte ao resultado oficial das eleições presidenciais de 2001, que me tornei no primeiro militante de Cabo Verde contra a fraude. Neste esforço, consegui demonstrar em tribunal que em três mesas, de três ilhas completamente distintas, tinha havido fraude que comprovei em tribunal. As pessoas envolvidas no caso foram condenadas e cumpriram penas de prisão. Portanto, os 12 votos que deram vitória a Pedro Pires em 2001 não deveriam ser considerados porque estavam incluídos naquelas três mesas. Mas acabei por aceitar os resultados porque considerei na altura que isto é que era importante para o meu país. Desde então tenho estado a chamar a atenção para os problemas que existem nos cadernos eleitorais. Não tenho sido escutado, nem pelos partidos, incluindo o Movimento para a Democracia, nem pelas outras autoridades. A minha candidatura voltou a detectar nos cadernos eleitorais, que em princípio vão funcionar para as eleições presidenciais de 12 de Fevereiro próximo, situações que considero graves. Já informei as irregularidades à Comissão Nacional de Eleições. Acredito que, com as novas tecnologias que hoje são usadas no país, podemos encontrar soluções para resolver os problemas existentes até às eleições.” PERFIL Carlos Alberto Wahnon de Carvalho Veiga nasceu no Mindelo a 21 de Outubro de 1949. Formou-se em Direito na Universidade Clássica de Lisboa, em 1971. No mesmo ano foi colocado como conservador dos registos do Bié, em Angola, onde exerceu também, por substituição, a função de juiz da comarca. Em Janeiro de 1975 regressou a Cabo Verde sendo nomeado delegado do procurador da República, na cidade da Praia. Após a independência de Cabo Verde, entre 1975/80, exerceu diversos cargos públicos. Em 1990 fez parte do núcleo fundador do Movimento para a Democracia, partido de que seria eleito presidente em Setembro do mesmo ano. Foi primeiro-ministro de Janeiro de 1991 a Outubro de 2000, ano em que, por opção própria, decidiu afastar-se das funções partidárias. Candidatou-se às presidenciais de 2001, tendo perdido para Pedro Pires por apenas 12 votos. Após as eleições, regressou à advocacia, tendo sido eleito bastonário da Ordem dos Advogados. Carlos Menezes - Correio da Manhã - www.correiomanha.pt
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