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África do Sul planejou matar Mugabe, segundo novo livro
08-Mai-2006
Segundo um novo livro, o príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, poderia ter estado entre as vítimas do plano, junto com lorde Soames, o governador interino da Rodésia e o então ministro britânico de Assuntos Exteriores, Peter Alexander Carrington.

A execução aconteceria quando todos viajavam para Salisbury (atual Harare) para assistir a uma recepção.

Os detalhes desse suposto plano aparecem em um livro escrito por um ex-membro do serviço de espionagem rodesiano chamado Jim Parker. A obra, chamada "Assignment Selous Scout" (editora Galago) e que hoje é notícia no dominical "The Sunday Telegraph", será lançada esta semana.

Parker era integrante de uma unidade antiterrorista conhecida como Selous Scouts. Para o livro, ele entrevistou dezenas de ex-membros das forças de defesa rodesianas e sul-africanas.

Segundo sua versão, os Governos do Reino Unido e da África do Sul, assim como o regime branco rodesiano, esperavam que as primeiras eleições com participação negra na Rodésia resultassem em um Governo de coalizão de partidos moderados.

Quando Robert Mugabe, do partido Zanu PF, alcançou a maioria, os sul-africanos decidiram eliminá-lo no momento em que a nova Zimbábue se preparava para celebrar sua independência, diz o livro.

Um grupo de ex-membros dos Selous Scouts planejou esconder bombas em caixas de sinais ao longo do trajeto da comitiva oficial para explodi-las na hora em que Mugabe e as autoridades britânicas passassem.

As bombas, fabricadas na África do Sul, tinham sido fornecidas pelo Governo desse país.

O príncipe Charles, que ia presidir o comboio em um Rolls Roy conversível 1953, poderia ter sido uma das vítimas.

Mac McGuiness, ex-comandante de uma unidades especial rodesiana antiterrorista, foi quem descobriu o plano. Ele confirmou que as bombas eram para matar todos os membros da comitiva.

Segundo McGuiness, naquele momento, as forças de defesa rodesianas estavam desarmadas e confinadas em seus quartéis. Com Mugabe assassinado, a expectativa era que a população negra se revoltasse e e assassinasse os brancos, então desarmados.

"A Força de Defesa Sul-Africana tinha uma coluna couraçada não longe da fronteira disposta a entrar (na Rodésia) para salvar os europeus, aproveitando a opinião pública mundial para apoderar-se da Rodésia".

Embora, segundo Mcguinness, a morte do príncipe Charles fosse ser "acidental segundo o plano original", o autor do livro diz que teria sido crucial, porque, ao expor a incapacidade do partido Zanu PF de manter a ordem, obrigaria Londres a aceitar a intervenção sul-africana.

Segundo Dan Stannard, membro do serviço de contra-espionagem, que ajudou a frustrar a tentativa, o príncipe de Gales não era "um alvo direto".

"O único objetivo específico era, segundo ele, destruir Zimbábue antes da sua independência. E a presença de altos personalidades teria contribuído para agravar o desastre".

Antes que o plano fosse concretizado, Mcguinness teve conhecimento do mesmo e efetuou uma operação na casa utilizada pelos seus autores, embora sem sucesso, já que esses, avisados a tempo, conseguiram fugir.

Pik Botha, naquela época ministro de Assuntos Exteriores da África do Sul, classifica a história contada no livro como "puro absurdo": "É estúpido e não acredito. Nós tentamos fazer todo o possível para ajudar o Zimbábue em sua transição à independência", disse.

Agência EFE
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