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BAD: Continente vai manter crescimento económico acima dos 5% próximos dois anos
10-Dez-2007

A economia africana continuará a crescer acima dos cinco por cento nos próximos dois anos, graças ao aumento do preço das matérias-primas e à estabilidade macroeconómica, previu sábado, em Lisboa, um responsável do Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD).

"África vai conseguir manter a taxa de crescimento acima dos 5 por cento nos próximos dois anos, devido ao `boom` do preço das matérias-primas, como o petróleo, o alumínio, o cobre e o ouro, e às principais variáveis macroeconómicas que se desenvolveram bastante nos últimos seis anos, por comparação com os anos 90", disse à Lusa Louis Kasekende, após um evento paralelo à Cimeira UE-África sobre as Perspectivas Económicas Africanas.

Segundo o responsável para a área económica do Banco Africano para o Desenvolvimento, "o grande desafio é saber como se pode promover um crescimento sustentável no continente africano, se os preços não forem sustentáveis" no futuro.

"As taxas de crescimento dos países exportadores de petróleo são instáveis. Se num ano o crescimento dos países exportadores de petróleo é de 10 por cento e no seguinte apenas de 01 por cento, tal não será suficiente para retirar as pessoas da pobreza, pelo que África terá de encontrar outras soluções para manter o seu crescimento. Este é o desafio", disse o responsável.

Louis Kasekende sublinhou a necessidade de "uma melhor gestão daqueles rendimentos, em prol do benefício de todos os povos africanos" e reconheceu que "África precisa de assistência técnica nesta matéria".

"Temos, por vezes, um impulso forte, mas muitas vezes não existe uma gestão correcta", explicou, acrescentando que "África precisa de aumentar o crescimento, não só através das matérias-primas, mas também com o trabalho das instituições".

Colm Foy, da Comissão Europeia, corroborou esta posição ao dizer que "os recursos naturais são muito importantes para o desenvolvimento e crescimento económico, assim como uma boa e eficaz governação".

"Este é um factor muito importante e permitirá aos países menos ricos do ponto de vista das matérias-primas crescer também rapidamente", considerou.

De acordo com as Perspectivas Económicas para África, o continente deverá continuar a crescer a taxas elevadas, 5,9 por cento e 5,7 por cento, em 2007 e 2008, respectivamente.

Segundo dados avançados no evento, o saldo da balança de transacções correntes melhorou em muitos países, cabendo os maiores ganhos aos países exportadores de petróleo e de minerais metálicos, que contribuíram também para a melhoria das finanças públicas.

A II Cimeira UE/África, que reúne em Lisboa cerca de uma centena de chefes de Estado e/ou de Governo africanos e europeus, deverá aprovar uma Parceria Estratégica sem precedentes, que regulará, a longo prazo, as relações políticas, económicas e comerciais entre os dois continentes.

Naquela que é a maior reunião política de alto-nível realizada na Europa nas últimas décadas, a Cimeira deverá ainda adoptar o primeiro Plano de Acção, com projectos a executar, no curto prazo (2008-2010), entre os dois continentes, o qual prevê mecanismos de controlo de aplicação e de acompanhamento.

Os líderes europeus e africanos deverão ainda aprovar um documento de natureza política, que será designado por Declaração de Lisboa.

A realização da segunda Cimeira euro-africana era uma das três grandes prioridades da actual presidência portuguesa da UE, que se iniciou em Julho e termina no final deste mês.

Na organização da cimeira assumiu particular relevo o braço-de-ferro entre o Reino Unido e o Zimbabué, com o primeiro-ministro britânico, Gordon Browm, a recusar-se a vir a Lisboa devido à presença do chefe de estado zimbabueano, Robert Mugabe, cujo regime é alvo de sanções europeias por autoritarismo e violações dos direitos humanos.

A primeira Cimeira UE/África realizou-se em Maio de 2000, no Cairo, durante a anterior presidência portuguesa do bloco europeu.

Agência Lusa - www.lusa.pt

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