| Cimeira UE/África: Robert Mugabe afirma que irá a Lisboa |
| 27-Nov-2007 | |
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“Sim, vou”. Foi desta forma lacónica que o Presidente do Zimbabué respondeu a uma pergunta da Agência Lusa sobre a sua eventual presença na Cimeira UE/África. Numa primeira reacção, o Governo português indicou não ter confirmação oficial das intenções de Robert Mugabe.
A resposta curta, antecedida de um sorriso, foi dada à chegada ao Songo, em Moçambique, onde Robert Mugabe assistiu à cerimónia de entrega da barragem de Cahora Bassa ao Estado moçambicano. Confrontado com as declarações do Presidente do Zimbabué, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, assegurou não ter qualquer confirmação oficial da presença de Mugabe na Cimeira de Lisboa, agendada para os próximos dias 8 e 9 de Dezembro. “Ouvi qualquer coisa através da comunicação social (…) Há uma comunicação da Lusa e não sei se isso é oficial”, afirmou João Gomes Cravinho. Evitando alongar-se sobre a questão, o secretário de Estado procurou desvalorizar a possibilidade de a presidência portuguesa da União Europeia vir a deparar-se com uma crise diplomática desencadeada pela vinda do Presidente do Zimbabué. No entanto, o primeiro-ministro britânico já veio confirmar que a presença de Mugabe em Lisboa dita a ausência de uma representação de alto nível de Londres. Gordon Brown ficará à margem dos trabalhos. “Não nos podemos sentar à mesma mesa do Presidente Mugabe”, disse o chefe do Executivo britânico durante a conferência de imprensa mensal, no número 10 de Downing Street. Brown reiterou, ainda, que o restabelecimento dos laços entre Londres e Harare não será concretizado enquanto Robert Mugabe não observar os Direitos Humanos e os princípios da democracia. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, tem encabeçado uma ofensiva diplomática contra a participação do Presidente do Zimbabué na Cimeira UE-África. A ameaça de um boicote por parte do Governo britânico lança o espectro do fracasso sobre uma das principais prioridades traçadas por Lisboa para a presidência da União Europeia. Portugal preferia a ausência de Mugabe Na segunda-feira, a partir de Washington, o ministro português dos Negócios Estrangeiros reafirmava preferir que o Presidente do Zimbabué não comparecesse em Lisboa. ”Eu mantenho a apreciação que faço por razões que apenas têm a ver com a natureza da Cimeira e o que está em causa nas discussões que vamos ter em Lisboa”, declarava Luís Amado. Já anteriormente, Amado tinha considerado “preferível” que o Presidente do Zimbabué ficasse à margem da próxima Cimeira entre União Europeia e África. O ministro português dos Negócios Estrangeiros e presidente em exercício do Conselho de Ministros da União Europeia evocou a perspectiva do “ruído” criado pela presença de Mugabe em Lisboa. Robert Mugabe figura entre os 80 chefes de Estado e de governo europeus e africanos que receberam convites para a Cimeira de Dezembro, que decorrerá sete anos depois da primeira reunião, realizada no Cairo sob os auspícios da segunda presidência portuguesa da União Europeia. O Governo do Zimbabué é alvo de sanções movidas pela União Europeia, incluindo restrições a deslocações de Mugabe para países do espaço comunitário. Esta proibição teria de ser levantada para permitir a participação do Chefe de Estado na Cimeira UE-África. Agência Lusa - www.lusa.pt Comentários (0)
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