| Cresce tensão na Somália com convocação de "jihad" contra Etiópia |
| 19-Jun-2006 | |
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Após a acusação por parte da milícia islâmica somali de que forças etíopes tinham cruzado a fronteira, a tensão na Somália atinge seu nível mais alto, enquanto a União das Cortes Islâmicas e seus seguidores mobilizam a população para começar a "jihad" (guerra santa). O líder da União das Cortes Islâmicas da Somália, Sheikh Sharif Sheikh Ahmed, garantiu aos jornalistas neste sábado que 300 tropas etíopes estavam dentro do território somali desde sexta-feira, com a intenção de ajudar seus adversários e desmantelar o novo sistema islâmico. "Nós não estamos atacando a Etiópia, também não estamos atacando o Governo de transição, mas a Etiópia está ultrapassando os limites da soberania da Somália", disse Sheikh Sharif. "Se a Etiópia continuar sua intervenção", ameaçou, "lutaremos contra eles". Os vizinhos das áreas fronteiriças de Dolo e Lugh Ganane confimaram hoje à Efe a versão do líder, afirmando que as tropas etíopes tinham cruzado a fronteira em 50 veículos armados. "As tropas etíopes estão agora em Lugh e não sabemos por que vieram", disse Abdi Khalil, que mora na região. "Eu vi as tropas etíopes em seus veículos armados", explicou, "estavam perguntando às pessoas se os tribunais islâmicos tinham alcançado Lugh". No entanto, o ministro das Relações Exteriores etíope, Seyoum Mesfin, negou reiteradamente a acusação. "Não há nenhuma tropa Etíope dentro da Somália", afirmou Mesfin em declaração pública. O ministro acrescentou que as tropas etíopes "estavam vigiando atentamente a situação ao longo da fronteira com a Somália", e que estavam em seu direito de fazer isso. Apesar da contradição das versões, nada impede que a sombra do ódio se estenda aos somalis. Um funcionário dos tribunais islâmicos, Sheikh Omar Yahya, advertiu a multidão do mercado de Bakara que era o momento de levantar para fazer a "guerra santa". "O inimigo se aproxima, os etíopes estão vindo, agora me dirijo aos fiéis de Deus para começar a 'jihad' e defender a Somália da Etiópia", disse Omar. "Espero que a fé das pessoas dê uma lição sem precedentes aos nazistas da África (Etiópia)", acrescentou. A intervenção da Etiópia, neste momento, está dando a oportunidade aos tribunais islâmicos de contar com o apoio de outras pessoas da Somália. As Cortes Islâmicas controlam Mogadíscio e todo o sul do país, assim como vários pontos estratégicos que foram conquistando para a coalizão de "senhores da guerra" Aliança para a Restauração da Paz e Contra o Terrorismo (ARPCT). Desde que começou, em fevereiro, a luta pelo controle da Somália - que vive em meio ao caos desde que o ditador Mohammed Siad Barre foi deposto em 1991 -, mais de 360 pessoas morreram, na maioria mulheres e crianças. Os somalis expressam seu ódio pela intervenção da Etiópia, dando sua opinião em programas de rádio locais e mostrando apoio às Cortes Islâmicas. "Não sou seguidora dos tribunais islâmicos, mas os apoiarei se defenderem nossa terra da invasão inimiga", disse Hali Duale, de 48 anos e mãe de seis filhos. "O pai de dois dos meus filhos foi assassinado na Etiópia em 1978, agora não posso permitir que invadam a Somália", acrescentou. Ubax Mohammed, estudante de 14 anos da escola primária de Osama, transmitiu uma mensagem a todas as crianças da Etiópia. "Peçam a seus pais que abandonem nosso país. Eu morrerei pela Somália, como vocês morrerão pela Etiópia". Agência EFE Comentários (0)
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