África
Desmond Tutu pede coragem para criticar violação dos direitos humanos na cimeira UE/África | Desmond Tutu pede coragem para criticar violação dos direitos humanos na cimeira UE/África |
| 07-Dez-2007 | |
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O arcebispo anglicano da África do Sul Desmond Tutu pediu hoje aos participantes na cimeira União Europeia/África coragem para criticar a violação dos direitos humanos no continente africano, mas também no europeu.
Em entrevista à Rádio Renascença, o prémio Nobel da Paz defendeu que nenhum tema sensível deve ficar de fora da cimeira e mostrou-se esperançado que a violação dos direitos humanos no Zimbabué, na Somália, na região sudanesa do Dafur sejam criticados, tal como o deve ser o racismo na Alemanha ou a situação na Tchétchénia. "Espero obviamente que falem dos temas que para nós são mais críticos. Gostaria que falassem do Darfur e do Zimbabué. Gostaria que falassem da erradicação da pobreza e de um melhor relacionamento entre África e a Europa", disse o bispo. Acrescentou ainda que espera que durante a cimeira seja criticado qualquer regime que viole os direitos humanos, independentemente de ser africano ou europeu. "Se não o fizerem [os participantes na cimeira] estão a ser cúmplices com essas violações e os líderes violadores pensarão que têm o seu apoio", sublinhou. Para Desmond Tutu, tanto na Europa como em África há bons e maus líderes, apontando como exemplos o presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, e o chefe de Estado Russo, Vladimir Putin. "As pessoas dizem que na Rússia a situação está a deslocar-se em direcção a uma ditadura e, se isso for verdade tem que ser criticado. Não se pode dizer que uma ditadura europeia é aceitável e uma africana é má. Tem que se ser consistente", sustentou. Sobre Mugabe, o prémio Nobel da Paz lembra a admiração que lhe mereceu o "trabalho maravilhoso" do líder do Zimbabué durante a sua primeira eleição, mas adianta que depois o decepcionou "profundamente". "Dado que ele [Mugabe] foi convidado para a Cimeira desejaria que a União Europeia fale, sem qualquer ambiguidade, sobre os direitos humanos que estão a ser violados de forma flagrante no Zimbabué", disse Tutu. A presença de Mugabe na Cimeira UE/África, que decorre durante o fim-de-semana no Parque das Nações, em Lisboa, tem sido alvo de intensa polémica tendo levado o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, a recusar participar no encontro. Cerca de 140 delegações estão presentes na cimeira, incluindo presidentes, chefes de governo ou da diplomacia de 26 dos 27 países que integram a UE - de fora fica o Reino Unido, que envia a embaixadora na União Africana (UA) - e de 53 Estados africanos. A única ausência é da República Árabe Saaraui Democrática (RASD), membro da União Africana e reconhecida por pouco mais de seis dezenas de países, na maioria africanos, que já na Cimeira do Cairo, em 2000, aceitou ceder o lugar a Marrocos. Agência Lusa - www.lusa.pt Comentários (0)
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