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EUA: Comando Africano do Pentágono recruta analistas para Departamento de Informações
10-Dez-2007

O recém-formado Comando Africano (AFRICOM) das forças armadas norte-americanas iniciou o recrutamento de analistas para um departamento de informações ("Intelligence"), indica o portal da Internet do governo federal.

Em declarações à Lusa, fontes do Pentágono confirmaram que as autoridades norte-americanas estão a criar um "comando de operações especiais para África".

Na semana passada, num curto comunicado que passou praticamente depercebido, as autoridades militares anunciaram a nomeação de Terence Ford como Director de "Intelligence" junto do AFRICOM.

Ford era anteriormente vice-chefe de estado-maior assistente para os serviços de informações no quartel-general do Exército em Washington.

Os anúncios colocados no portal da Internet para recrutamento de trabalhadores para o governo federal dos Estados Unidos especificam que os candidatos escolhidos ficarão colocados em Estugarda, na Alemanha.

Os anúncios avisam também que esses analistas poderão ser depois transferidos para África quando o AFRICOM estiver em "capacidade operacional total" e quando for formado o "comando de operações especiais, África" (SOCAF).

Segundo as fontes do Pentágono, o SOCAF estará sob alçada do AFRICOM e vai ser chefiado pelo coronel Patrick Higgins, que ocupou até há pouco tempo o cargo de director da Força Tarefa Conjunta Interdepartamentos do Comando das Forças Especiais das Forças Armadas norte-americanos.

O AFRICOM avançou em Outubro deste ano, mas os planos para ter pelo menos parte da sua estrutura de comando em África têm deparado com a oposição de vários países africanos.

Isto não tem impedido, contudo, o Comando Africano de estar a expandir-se rapidamente com o objectivo de se tornar totalmente operacional antes do final do próximo ano.

O AFRICOM vai operar de modo diferente dos outros, com comandos regionais das forças armadas norte-americanas, pois terá uma forte componente civil que vai coordenar com os militares acções humanitárias.

Mary Carlin Yates, uma veterana diplomata, foi nomeada vice-comandante para actividades civis e militares e o vice-almirante Robert Moeller vice-comandante para operações militares.

O general Herbert Althuser foi nomeado director de planeamento e programas do Comando Africano e terá como missão a coordenação de departamentos do governo e organizações humanitárias.

O AFRICOM é chefiado pelo general William Ward, que esteve esta semana em Luanda para conversações com as autoridades angolanas.

Para já não há planos para o AFRICOM ter sob seu comando tropas dos diversos ramos das forças armadas e terá de requisitar tropas a outros se tiver necessidade de soldados para operações humanitárias ou militares.

A Lusa soube que vão ser nomeados representantes dos fuzileiros e do exército para o AFRICOM para servirem de elementos de ligação com esses dois ramos das forças armadas. Em estudo está a hipótese de serem nomeados também representantes da força aérea e da marinha.

O Secretário da Defesa, Robert Gates, esteve no início da semana no Djibuti para discutir a possível transferência de cerca de 2.000 soldados norte-americanos ali estacionados para o AFRICOM. A confirmar-se, serão os primeiros militares a estarem inteiramente ao serviço do novo comando.

Os Estados Unidos têm em Camp Lemonier, no Djibuti, a sua única base militar africana, pilar da sua luta anti-terrorista no Corno de África, e, como afirmou Gates, os esforços humanitários ou de formação das tropas norte-americanas na região é "modelo" para o novo Comando Africano.

Os Estados Unidos escolheram o Djibuti depois dos atentados de 11 de Setembro para instalar uma coligação internacional contra o terrorismo, e este país, estrategicamente situado à entrada do Mar Vermellho e do golfo de Aden, entre o continente africano e a pensínsula arábica, propôs-se agora acolher o quartel-general do AFRICOM.

"Participar em actividades humanitárias, profissionalizar os exércitos, dando-lhes formação e equipamento, construir escolas (...) penso que é um bom modelo para o AFRICOM", disse a propósito do novo comando Robert Gates.

A rápida expansão do Comando Africano deverá, entretanto, continuar nos próximos meses. Segundo fontes no Pentágono, até ao final de 2008 este deverá ter a trabalhar nas suas instalações 800 pessoas.

Prevê-se que o AFRICOM esteja em "capacidade operacional total" em Outubro do próximo ano.

Agência Lusa - www.lusa.pt

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