| Há 40 anos, o primeiro coração transplantado bateu na África do Sul |
| 03-Dez-2007 | |
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Na noite de 3 de dezembro de 1967, em um hospital da Cidade do Cabo, na África do Sul, o professor Christian Barnard realizou o primeiro transplante cardíaco da história, uma operação que estava destinada a assombrar e cultivar a imaginação do mundo inteiro.
"Ninguém tirou uma foto, ninguém fez nada para registrar o acontecimento para a história", recorda Dene Friedman, uma enfermeira especializada em transfusões que acompanhou a cirurgia quando ainda era uma estudante. Barnard nem sequer havia informado às autoridades do hospital que ia tentar a experiência. "Ele só contou no dia seguinte, ao amanhecer, com uma ligação telefônica", recorda. "Pensamos apenas no interesse do paciente", afirma a enfermeira, referindo-se a Louis Washkansky, um diabético que havia aceitado servir de cobaia depois de sofrer três ataques cardíacos. Barnard, que já havia praticado trasplantes de coração em animais e conhecia os trabalhos teóricos de cirurgiões estrangeiros, só esperava um doador para colocar em prática seus conhecimentos. Na madrugada de 3 de dezembro, uma jovem de 25 anos se fere mortalmente em um acidente circulatório. Seu grupo sanguíneo é compatível com o de Louis Washkansky e seu pai aceita doar o coração. "Entramos na sala de operações ma meia-noite e saímos às 08H00 do dia seguinte", conta Dene Friedman, que diz lembrar de tudo como se tivesse acontecido ontem. "Era muito impresionante, extremamente excitante... e dava medo: não estávamos muito seguros dos efeitos em um paciente humano", indica. A equipe - umas 30 pessoas - assistiu maravilhada aos primeiros batimentos do novo coração de Louis Washkansky. No entanto, os medicamentos usados para impedir a rejeição do novo órgão suprimiram as defesas imunológicas do paciente, que morreu de pneumonia 18 dias mais tarde. Várias vozes se levantaram, então, para reprovar Barnard, dizendo que o médico havia se precipitado para ganhar fama antes de outras equipes, quando os conhecimentos sobre a imunossupreção eram muito escassos. Essas críticas não o impediram de entrar para história. "No sábado, eu era um cirurgião sul-africano muito pouco conhecido. Na segunda, tinha uma reputação mundial", declarou Barnard em várias ocasiões. Seu sorriso brilhante, seu físico avantajado e seu modo de vida contribuíram para seu renome. Apesar de sua educação rígida e modesta, este filho de pastor protestante gostava de mulheres bonitas - ele foi visto ao lado das atrizes Gina Lollobrigida e Sophia Loren - e da vida mundana. "Era alguém muito dinâmico e motivador", recorda Dene Friedman, que trabalhou com Barnard até sua aposentadoria, em 1983, devido à artrite. Nesse meio tempo, Barnard experimentou outras técnicas arriscadas, como o duplo transplante, as válvulas mecânicas e o uso de corações de macaco em situações de emergência. Pouco conformista, declarou-se a favor da eutanásia e, em várias ocasiões, criticou o regime racista do apartheid. Sua reputação só foi afetada um pouco, em 1986, por seu apoio a um produto contra o envelhecimento retirado do mercado norte-americano por ser efeitos nefastos. "Ele nunca pensou que iria cultivar a imaginação do público e do mundo inteiro", afirma sua antiga assistente, mas, graças ao doutor Barnard, falecido em 2001 durante férias em Chipre, "o mundo aprendeu onde estava a África do Sul no mapa". AFP Comentários (0)
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