| Milhares de pessoas pedem a morte da professora britânica que ofendeu o islã |
| 01-Dez-2007 | |
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Milhares de pessoas se manifestaram, nesta sexta-feira, em Cartum para exigir a morte de uma professora britânica, Gillian Gibbons, acusada de ofender a religião e condenada a 15 dias de prisão por ter permitido que um de seus alunos desse o nome de Maomé a um ursinho de pelúcia.
Os manifestantes, que se congregaram em várias mesquitas da cidade, pediam aos gritos que se "castigue com balas aqueles que insultam o Profeta" e denunciaram o veredito do tribunal por considerar que foi muito clemente. A manifestação foi convocada pelo Comitê dos Ulemás do Sudão e a associação religiosa Os Partidários do Profeta. Gibbons foi transferida pelas autoridades da penitenciária para mulheres de Omdurman, a leste de Cartum, a um lugar secreto para garantir sua segurança. Segundo fontes policiais, foi preciso transferir a professora devido a uma grande manifestação nesta sexta-feira, em Cartum, na qual os presentes ameaçavam matar Gillian a facadas se a encontrassem. A professora primária britânica julgada por blasfemar contra o Islã foi condenada na quinta-feira por um tribunal de Cartum a 15 dias de prisão e a ser expulsa do país. Condenada em tribunal Gillian Gibbons "foi condenada a 15 dias de prisão a partir do dia da detenção (domingo) e logo será expulsa do país", declarou à imprensa seu advogado Kamal Jazuli, ao final de sete horas de audiência. Ela foi acusada de blasfêmia contra a religião e incitação ao ódio racial. A acusada afirmou no tribunal que agiu de boa fé porque "se tivesse querido ofender o Islã, teria feito isso na Grã-Bretanha". "Se for considerado que cometi uma falta, peço desculpas a todos os sudaneses", afirmou. A mulher deixou discretamente o tribunal de Cartum, em meio à satisfação demonstrada por seu advogado com a sentença. Ele afirmou que não vai recorrer do veredicto. O artigo 125 do código penal sudanês invocado no veredicto prevê um máximo de seis anos de prisão, 40 chibatadas e o pagamento de multa para estes casos. Segundo a embaixada britânica, a professora nunca teve a intenção de ofender, ao chamar ursinho desta forma. A 'sharia' ou lei islâmica é rigorosamente aplicada no norte do Sudão, onde o Islã é religião majoritária. Entenda o caso Gibbons, 54 anos, foi detida no domingo em Cartum, capital do Sudão, após permitir que seus alunos - de 6 e 7 anos - colocassem o nome do profeta Maomé em um urso de pelúcia. Autoridades sudanesas receberam várias queixas por parte dos pais das crianças. A professora, que começou a trabalhar no colégio em agosto, pediu a uma menina de 7 anos que levasse um urso de pelúcia e convidou todos os alunos a escolher um nome, segundo Boulos. Das 23 crianças, 22 optaram por nomear o ursinho de Maomé. Segundo o diretor, a cada aluno foi permitido levar o brinquedo para casa durante o fim de semana e cada um tinha que dizer o que fazia com Maomé. Os comentários das crianças foram colocados em um livro com uma fotografia do urso na capa e o título "Meu nome é Maomé". O diretor da escola, Robert Boulos, afirmou que a professora não queria insultar o islã e só seguia o programa educativo britânico destinado a ensinar aos menores o mundo animal e o tema deste ano era o urso, segundo a imprensa britânica. Gibbons, que tem dois filhos, foi para o Sudão em julho passado, depois do fim de um casamento de 32 anos com Peter Gibbons, que é também professor. Último Segundo / AFP Comentários (0)
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