| OMS: Mais de 100 milhões de mulheres foram vítimas de mutilação genital |
| 04-Jun-2006 | |
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Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado ontem, estima que mais de 100 milhões de mulheres em todo o Mundo foram submetidas a mutilações genitais e que, em cada 1000 partos feitos em África, morrem cerca de 20 bebés devido a esta prática. A organização critica tal costume e salienta que, mesmo com supervisão médica, esta «tortura» não pode continuar. A partir do estudo, feito em 28 mil mulheres de seis países africanos, a OMS concluiu que as vítimas de mutilação sexual sofrem mais complicações na gravidez, no parto e também maior risco de perder o bebé à nascença. «O que pretendemos é mostrar que esta prática é totalmente inaceitável, é uma forma terrível de agressão que tem de ser parada», frisou Joy Phumaphi, director geral da OMS e responsável pelo estudo. A OMS não tem um número total de mortes provocada pelas mutilações genitais, mas estima que este costume, praticado em 28 países, principalmente em África, atinja anualmente cerca de três milhões de meninas, com menos de dez anos. No total, mais de 100 milhões de mulheres já foram vítimas. O risco de cesariana é superior a 30 por cento nas mulheres sujeitas ao pior tipo de mutilação: a ablação, que consiste em coser o orifício vaginal. O risco de hemorragias é superior a 70 por cento, segundo dados obtidos em 28 maternidades. A OMS supõe que os números sejam certamente piores nos partos realizados em casa. O risco de perder o bebé à nascença oscila entre os 15 e os 55 por cento e, conforme o tipo de mutilação genital, a criança poderá conseguir ser ou não reanimada. Em cada 1000 partos em África, 10 a 20 bebés morrem devido a esta prática. Para a OMS, a justificação das tradições culturais não é suficiente: «os homens não se apercebem da tortura que provocam às suas mulheres, filhas e crianças». A taxa da prática da mutilação genital varia de país para país, sendo de cerca de 20 por cento no Senegal e de 90 por cento no Sudão. Mas, mesmo no Senegal, a taxa pode chegar aos 100 por cento nas zonas rurais. Nos 28 países abrangidos pelo estudo, todos os governos são teoricamente contra a mutilação sexual, mas apenas seis legislaram sobre a matéria. Expresso África - http://africa.expresso.clix.pt Comentários (0)
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