ONU diz que era alvo de explosão em Argel; 1 funcionário morto
11-Dez-2007
A Organização das Nações Unidas (ONU) era claramente o alvo de uma das duas explosões que mataram 67 pessoas na capital da Argélia, nesta terça-feira, afirmou o presidente do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). O chefe da ACNUR, Antonio Guterres, disse à emissora de TV BBC World: "Não tenho nenhuma dúvida de que a ONU era um alvo. Isso é uma afronta. É algo que não faz nenhuma sentido."
Guterres acrescentou que a explosão no escritório da ONU na Argélia reflete o desejo de "alguns extremistas" de matar, criar terror e impedir a comunidade internacional de apoiar causas humanitárias e os direitos humanos.
Ele não disse quantos funcionários da ONU morreram ou ficaram feridos, mas fontes da organização confirmaram que pelo menos um funcionário da organização morreu e 13 estavam desaparecidos em consequência dos ataques com carros-bomba que atingiram Argel.
Em nota, a ONU disse que as explosões destruíram o escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e danificaram bastante o escritório do ACNUR.
O comunicado dizia que as duas explosões mataram um número indeterminado de funcionários da ONU. "Doze pessoas da ONU estão desaparecidas, sem contar o ACNUR. Não sabemos se eles podem estar sob os escombros", disse Jean Fabre, chefe do escritório de Genebra do Pnud, à Reuters.
Um porta-voz do ACNUR, que tem sede em Genebra, havia dito que um motorista tinha morrido e outro estava desaparecido.
Os 12 funcionários desaparecidos citados por Fabre trabalhavam em várias agências da ONU que funcionavam no prédio do Pnud, como do Programa Mundial de Alimentação e da Organização Internacional do Trabalho.
Segundo Fabre, os números do ataque foram fornecidos pelo coordenador-residente da ONU na Argélia, Marc Destanne de Bernis.
Uma fonte do Ministério da Saúde argelino afirmou que, no total, as duas explosões mataram pelo menos 67 pessoas em Argel.
A nota da ONU afirma que o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, "condena nos termos mais veementes os ataques terroristas em Argel".
Em Nova York, Farhan Haq, representante da ONU, disse que a entidade mantém por volta de 19 funcionários estrangeiros e 115 locais na Argélia, não necessariamente no local afetado pela bomba.
A ação fez lembrar a bomba que destruiu o escritório da ONU em Bagdá em agosto de 2003, matando 22 pessoas, entre elas o chefe da missão, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.
A explosão de Argel aconteceu numa rua que separa o principal escritório da ONU na capital argelina do complexo do ACNUR, segundo Antonio Guterres, ex-premiê português e hoje alto comissário da ONU para os refugiados.
Reuters
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