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ONU não se abalará com atentados em Argel, diz secretário-geral
19-Dez-2007
Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), disse na terça-feira, enquanto inspecionava os escombros do escritório da entidade atacado pela Al Qaeda em Argel, que o organismo internacional não seria intimidado pelo atentado "aterrorizante" que matou 17 funcionários da ONU.
"Ainda estou chocado com o que vi", afirmou Ban, em uma visita de um dia à Argélia. O secretário deu essa declaração pouco depois de passar por um dos locais atacados no dia 11 de dezembro pelo braço norte-africano da Al Qaeda.
"O impacto do ataque foi aterrorizante", afirmou. Em um mesmo dia, a Al Qaeda realizou dois atentados em Argel, matando ao menos 37 pessoas.
"Não estamos intimidados. Todas as agências da ONU continuarão a trabalhar em Argel. Espero que a Argélia leve os responsáveis à Justiça", disse Ban a repórteres. "O terrorismo é o terrorismo. Nós precisamos continuar com nossos esforços para erradicá-lo."
A capital da Argélia, que integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), já havia sido alvo de um grande atentado a bomba neste ano. O país tenta recuperar-se de um violento conflito civil iniciado nos anos de 1990 e no qual morreram até 200 mil pessoas.
Segundo testemunhas, Ban chegou a bordo de um comboio fortemente vigiado. Desceu no distrito de Hydra, onde inspecionou os escombros da casa em que ficavam os escritórios do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas.
Os repórteres não puderam acompanhar o secretário-geral na visita ao local.
O segundo carro-bomba detonado no dia 11 de dezembro atingiu o prédio da Corte Constitucional, no distrito de Ben Aknoun.
O braço da Al Qaeda que atua no norte da África assumiu a responsabilidade pelos atentados suicidas, afirmando ter atacado os "escravos dos EUA e da França".
Durante sua visita, Ban também se reuniu com o presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, e afirmou que o país e a ONU tinham decidido intensificar a colaboração no combate ao terrorismo.
O secretário-geral, que ainda disse ter conversado com Bouteflika sobre as mudanças climáticas, a imigração ilegal e a questão do Saara Ocidental, acrescentou que a ONU esperava montar novos escritórios em Argel, dentro em breve.
"As autoridades argelinas nos garantiram que nos oferecerão as acomodações adequadas", afirmou. "Eles me disseram que tudo estará pronto o quanto antes."
Entre os 17 funcionários da ONU mortos, havia 14 argelinos, um dinamarquês, um senegalês e um filipino.
Reuters
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