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PM português José Sócrates promete Cimeira "sem temas proibidos"
07-Dez-2007

A presidência portuguesa da UE está convicta de que após a Cimeira deste fim-de-semana o quadro dos Direitos Humanos em África vai “ficar melhor”. Quem o afirma é o primeiro-ministro português, que promete uma Cimeira Europa/África “sem temas proibidos”.

A poucas horas da abertura da II Cimeira Europa/África, José Sócrates voltou a colocar a ênfase num objectivo traçado desde o arranque da presidência portuguesa, num plano de importância equiparável à aprovação do Tratado Reformador da União Europeia - recolocar Lisboa na posição de “ponte entre a Europa e a África”. E essa é uma meta que o primeiro-ministro considera estar desde logo cumprida com a realização da Cimeira na capital portuguesa.

“Durante sete anos não se realizou uma segunda Cimeira”, assinalou Sócrates, para depois reconhecer que a agenda a levar aos trabalhos deste fim-de-semana comporta “muito ambição”.

O chefe do Governo português, que falava após a I Cimeira da Juventude entre Europa e África, em Lisboa, afirmou depois acreditar que os dois continentes serão capazes de resolver questões que ficaram por atender em 2000, no Cairo.

São cinco os temas directores dos trabalhos de Lisboa: Direitos Humanos; segurança energética; migrações; comércio internacional; alterações climáticas.

Sobre o dossier Direitos Humanos, que alguns dos líderes africanos chamados a Lisboa poderão tentar iludir, Sócrates garante que essa é uma questão incontornável. Até porque “o erro é não fazer nada”, sustentou.

“Nós vamos discutir os Direitos Humanos e já estamos a discutir os Direitos Humanos. Todos os dias se fala disso à volta desta Cimeira. Se não houvesse Cimeira é que não se falaria de Direitos Humanos”, defendeu o primeiro-ministro, acrescentando que a “estratégia conjunta” a consagrar em Lisboa vai “sublinhar a importância” da questão.

“O erro foi cometido durante sete anos. Sete anos de costas voltadas, sete anos sem nenhum tipo de encontro. Sete anos sem discutir política. Sete anos de cegueira”.

Afinando pelo mesmo diapasão de Sócrates, o ministro português dos Negócios Estrangeiros mostrou-se também convicto de que a Cimeira Europa/África vai estabelecer as bases de um paradigma “completamente novo” nos laços entre os dois continentes.

“É um trabalho conjunto de europeus e africanos na visão para as relações entre Europa e África e esse é um elemento completamente novo”, afirmou Luís Amado, no cair do pano da Reunião Interparlamentar Europa/África, realizada na Assembleia da República.

Lisboa acolhe, a partir desta sexta-feira, perto de 140 delegações que incluem chefes de Estado, de governo ou ministros dos Negócios Estrangeiros de 26 países-membros da União Europeia – o Reino Unido envia a sua embaixadora na União Africana – e de 53 países de África.

Durão Barroso alerta para importância do pós-Cimeira

Também presente no encerramento da Cimeira da Juventude, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, considerou que o “verdadeiro desafio começa com a implementação das políticas e acções acordadas no primeiro dia após” a reunião de chefes de Estado e governo.

“Ainda há um longo caminho por percorrer na relação entre a África e a Europa, que no passado foi marcada pelo colonialismo, mas que agora queremos que seja uma relação marcada por uma atitude de equilíbrio e de parceiros que se respeitam e que queiram resolver problemas globais em conjunto”, improvisou o chefe do Executivo comunitário.

A agenda de Kadhafi

Primeiro líder africano a chegar a Lisboa, Muammar Kadhafi fez esta sexta-feira uma intervenção pública preenchida de críticas à ordem global. O líder líbio acusou as Nações Unidas de funcionarem como uma ditadura controlada pelo Conselho de Segurança.

Num seminário organizado pela Universidade de Lisboa, Kadhafi, o dinossauro político que logrou transformar o seu regime num parceiro diplomático das potências ocidentais, diagnosticou o que diz ser a “falência política do Mundo”.

“Hoje todos os povos têm medo. Após a II Guerra Mundial e a criação da ONU pensávamos que iríamos viver em paz, mas as esperanças que depositámos na ONU estão a desaparecer”, advogou. As Nações Unidas, prosseguiu o líder líbio, são “o parlamento do Mundo e todas as nações deviam estar representadas, mas nem todas têm poder”.

Kadhafi defendeu, ainda, que os países “colonizadores” devem compensar os “colonizados” por terem criado desigualdades que ainda hoje produzem efeitos. E num sublinhado da histórica inversão de rumo da sua Líbia – de uma retórica belicista para uma pragmática aproximação a inimigos de antanho -, fez a apologia da “paz sem armamento”.

“Não queremos dormir à sombra das armas nucleares. Queremos a paz verdadeira à sombra da oliveira”.

Agência Lusa - www.lusa.pt

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