| Presidente sul-africano confia em fim da crise no Zimbábue |
| 23-Nov-2007 | |
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O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, afirmou na quinta-feira, em Harare, estar confiante na resolução da crise que assola o Zimbábue. Thabo Mbeki está mediando as conversações entre o governo do país em crise e duas facções do Movimento por Mudança Democrática (MDC), partido de oposição.
Em declarações aos jornalistas na capital do Zimbábue, onde fez uma escala a caminho da reunião da Comunidade Britânica, na capital de Uganda, Mbeki revelou ter se reunido com Mugabe e com dirigentes do MDC. "As conversações correram muito bem. Vim hoje a Harare para me encontrar com o presidente e com a liderança do Movimento para a Mudança Democrática", disse Thabo Mbeki, adiantando que no encontro do Commonwealth relataria o "progresso dos contatos". O presidente sul-africano foi escolhido em março deste ano pela Comunidade para o Desenvolvimento para a África Austral (SADC) para mediar o impasse. Objetivo é tentar encontrar uma solução política negociada para a profunda crise política, econômica e social em que o Zimbábue está mergulhado desde 2000. O líder da principal facção do MDC, Morgan Tsvangirai, afirmou na quarta-feira que acredita que a mediação está tentando abranger todas as áreas de preocupação da oposição, embora queira ver tais tentativas traduzidas na prática, na forma de melhorias no terreno e no fim da violência, fazendo com que o povo sinta as mudanças. Para Tsvangirai, a possibilidade de o MDC não concorrer às eleições gerais de março de 2008 é bem real. O dirigente da oposição afirmou que seu movimento não está disposto a ser utilizado meramente para legitimar o poder do presidente zimbabuano, Robert Mugabe. "Já passamos por três processos eleitorais e sabemos que são sempre pré-determinados. Queremos eleições livres e justas. Seria suicídio levar de novo a cabo o ritual das eleições para legitimar Mugabe", concluiu Tsvangirai, que revelou não ter havido progressos nas conversações sobre a liberdade de associação. As manifestações - e até mesmo as reuniões políticas da oposição - são freqüentemente desmobilizadas pela polícia do Zimbábue com extrema violência. Por várias vezes, desde o início dos trabalhos de mediação do presidente Mbeki, o MDC e ONGs de defesa dos direitos humanos se queixaram de que a violência dos agentes do Estado contra os opositores aumentou nos últimos meses, apesar do aparente clima de diálogo. Na própria quinta-feira, dia em que o presidente sul-africano chegou a Harare, uma manifestação pacífica do grupo cívico Assembléia Nacional Constitucional foi dispersa no centro da cidade pela polícia, com o uso de cassetetes. Os mais de 400 manifestantes exigiam uma nova Constituição para o país e a revogação da emenda constitucional 18, que dá poderes quase ilimitados ao presidente Mugabe. Essa emenda havia sido aprovada também pelo MDC, sob a alegação de demonstrar boa vontade. Os críticos do presidente do Zimbábue o responsabilizam pela crise do país, que enfrenta uma inflação de 14.000%, com taxa de desemprego de 80% e uma economia praticamente paralisada. Agência Lusa - www.lusa.pt Comentários (0)
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