| Sócrates confiante que presença de Mugabe não minimizará importância do encontro |
| 22-Nov-2007 | |
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O primeiro-ministro português manifestou hoje o desejo que a cimeira UE/África se concentre nas relações entre os dos dois blocos e não em "ruído", descurando os interesses do encontro, caso se confirme a presença de Robert Mugabe.
"O que nós gostaríamos é que a cimeira entre a UE/África, uma cimeira histórica muito importante, se concentre nos documentos que vão ser aprovados e não no presidente Robert Mugabe", declarou José Sócrates, presidente em exercício da União Europeia (EU). Sócrates falava aos jornalistas depois de ter presidido hoje de manhã à cimeira comemorativa dos 30 anos das relações entre a UE e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Singapura. O chefe do governo reagia assim às declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, que terça-feira admitiu preferir a ausência do presidente do Zimbabué no encontro de 08 e 09 de Dezembro, em Lisboa. Por se tratar de uma cimeira "que já não se realiza há sete anos, uma cimeira sobre os direitos humanos, sobre as alterações climáticas, sobre as migrações, sobre os problemas da UE e da União Africana", José Sócrates frisou que "gostaria que a cimeira não fosse sobre nenhum país nem sobre nenhum dirigente". "Porque isso é estarmos à altura daquilo que queremos da cimeira e tenho a certeza que ninguém deixará que a cimeira se concentre nesses assuntos bilaterais, mas numa estratégia conjunta, num plano de acção", declarou. "De preferência sem ruído claro está", exclamou o primeiro-ministro, lembrando que o propósito do encontro entre estados europeus e africanos "é restaurar o diálogo político alargado com África e fazer, não uma estratégia da Europa para África, ou vice-versa, mas uma estratégia conjunta que acontecerá uma vez na história". Na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, considerara que a presença do presidente do Zimbabué criaria"ruído" em torno do encontro. "Não sabemos quem vai estar ou não vai estar, mas se me pergunta se eu gostava que Roberto Mugabe estivesse em Lisboa, diria que não", afirmou. E reiterou: "é preferível que não esteja, precisamente porque vai criar um ruído à volta da cimeira que, do meu ponto de vista, distrai o que de essencial se discute [nessa cimeira]". A presidência portuguesa da União Europeia garantiu terça-feira que dirigirá uma mensagem "muito firme e muito clara" sobre a situação dos direitos humanos no Zimbabué, caso o presidente, Robert Mugabe, participe no encontro de 08 e 09 de Dezembro, em Lisboa. Simultaneamente, e a pedido do Reino Unido, a UE deverá nomear rapidamente um enviado especial "discreto" para se deslocar ao Zimbabué com o propósito de elaborar um relatório sobre a situação do país antes da cimeira. A presença de Robert Mugabe na cimeira tem sido contestada por vários países, especialmente a Grã-Bretanha, que ameaçou não se fazer representar ao mais alto nível caso o presidente do Zimbabué participe no encontro. Agência Lusa - www.lusa.pt Comentários (0)
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