| Sudão suspende operações da ONU em Darfur |
| 26-Jun-2006 | |
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O governo sudanês ordenou as autoridades da sua província ocidental de Darfur a suspender as actividades das Nações Unidas na região, excepto as operações humanitárias do Programa Alimentar Mundial (PAM) e de agências internacionais. Num comunicado de imprensa divulgado sábado à noite em Cartum, o Ministério sudanês dos Negócios Estrangeiros anunciou ter instruído as autoridades dos três Estados de Darfur para implementar a ordem imediatamente. Segundo o comunicado, o governo sudanês tomou esta decisão porque a Missão da ONU no Sudão (UNMIS) ultrapassou o seu mandato ao transportar de avião um líder dos movimentos rebeldes de Darfur. "As autoridades descobriram que um avião da ONU transportou a 24 de Junho um líder dos movimentos armados", acusa o governo sudanês. Desta forma, adianta, "a UNMIS ultrapassou as suas competências e missões estipuladas num acordo alcançado entre o governo sudanês e as Nações Unidas". "A suspensão será levantada quando o representante especial do Secretário-Geral da ONU no Sudão clarificar a posição da UNMIS", precisa o comunicado. Analistas políticos consideram, no entanto, que a medida visa impedir o envolvimento directo da ONU em Darfur. A UNMIS foi criada no ano passado depois da assinatura pelo governo sudanês e pelos ex-movimentos rebeldes dum acordo de paz em Janeiro de 2005. Encarregue de monitorar a implementação do acordo de paz, a UNMIS está igualmente envolvida em actividades humanitárias e no apoio logístico à missão africana de manutenção de paz em Darfur. A tensão surgiu entre o governo sudanês e a UNMIS quando a missão onusina anunciou o seu apoio à substituição da missão de paz africana em Darfur pela ONU. O Secretário-Geral da ONU Kofi Annan disse que iria encontrar-se com o Presidente sudanês Omar Hassan El-Bashir durante a cimeira da União Africana (UA) prevista para a próxima semana em Banjul (Gâmbia) para exigir a substituição da missão africana pelas Nações Unidas apesar da sua persistente oposição. O Presidente sudanês acusou terça-feira grupos judeus de pressionar para o envio da missão da ONU e prometeu nunca permitir a entrada de capacetes azuis das Nações Unidas na região onde três anos de guerra causaram a morte de mais de 200 mil pessoas e obrigaram dois milhões de outras a abandonar as suas casas. O governo sudanês quer que as tropas da UA permaneçam em Darfur, alegando que os capacetes azuis da ONU representariam uma ocupação e intervenção estrangeira, lembrando ao país o seu passado colonial. PANAPRESS - www.panapress.com Comentários (0)
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