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Zimbabué: Washington anuncia sanções contra 38 zimbabueanos ligados a Mugabe
05-Dez-2007
Os Estados Unidos impuseram sanções de viagem a 38 pessoas ligadas ao presidente zimbabueano, Robert Mugabe, revelou a secretária de Estado adjunta norte-americana para os Assuntos Africanos, Jendayi Frazer.
A secretária de Estado adjunta indicou que serão também impostas sanções financeiras contra um número não especificado de zimbabueanos e duas empresas, que diz terem "desempenhado um papel central na escalada dos abusos dos direitos humanos do regime".
Num discurso proferido segunda-feira, Frazer advertiu que os Estados Unidos vão alargar ainda mais as sanções caso não cesse a violência no país, afirmando que "a tirania de Mugabe tem de terminar".
Não identificou as pessoas afectadas pelas sanções decididas segunda-feira, dizendo apenas que incluíam nove pessoas ligadas à segurança do Estado e cinco adultos filhos de personalidades governamentais zimbabueanas que estudavam nos Estados Unidos.
Os Estados Unidos já antes tinham imposto sanções de viagem e financeiras a 130 pessoas ligadas a Mugabe.
Dada a escalada da violência usada por Mugabe, "os Estados Unidos imporão sanções adicionais contra os piores perpetradores da brutalidade do regime... e dos abusos dos direitos humanos", disse Frazer, que falava no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
A secretária de Estado adjunta para os Assuntos Africanos considerou "intolerável" que os mais chegados a Mugabe continuem a enviar os filhos para estudarem nos Estados Unidos "quando destruíram o outrora ilustre sistema educacional no seu próprio país".
Adiantou que os Estados Unidos estão particularmente atentos aos que usam as suas posições "para se enriquecerem à custa dos zimbabueanos que sofrem".
Jendayi Fraser descreveu o Zimbabué como um país a implodir que "permanece uma influência perniciosa na África sub-sariana", uma região onde, segundo ela, a democracia cresce e a pobreza diminui.
O Zimbabué está mergulhado na pior crise económica desde que se tornou independente em 1980, com o desemprego a atingir os 80 por cento e um aumento da agitação social. O investimento estrangeiro, os empréstimos e a ajuda ao investimento secaram.
A inflação oficial é de 4.500 por cento - a mais alta do mundo, apesar de estimativas independentes apontarem para números substancialmente mais elevados.
Mugabe, 83 anos, que governa o país desde a independência, responsabiliza as sanções ocidentais pela crise e rejeita as críticas de má gestão.
As prateleiras das lojas estão despidas de cereais, carne, pão, ovos, leite e outros produtos básicos que se vendem por pelo menos cinco vezes o preço imposto pelo governo num fluorescente mercado negro. Há também escassez de gasolina e de moeda estrangeira mas a pobreza, essa, continua a aumentar.
Agência Lusa - www.lusa.pt
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