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Afrosondagem: Eficácia das políticas permitiu aumentar credibilidade dos sucessivos governos
08-Nov-2007
Os indicadores de desenvolvimento económico de Cabo Verde demonstram uma evolução “francamente positiva”, tendo resultado no crescimento do PIB per capta, na redução da pobreza e na melhoria da qualidade vida. A constatação é de um estudo sobre Boa Governação em Cabo Verde, da Afrosondagem, que afirma que os cabo-verdianos vivem hoje em condições de conforto consideravelmente superiores, quando comparado com o ano de 1990.

O estudo, tornado público nesta quarta-feira, na Praia foi realizado em parceria com a United Nations Economic Comission for Africa, (UNECA) e teve como principal objectivo medir e monitorar o progresso em relação à Boa Governação em Cabo Verde.

O bom desempenho de Cabo Verde ficou a dever-se, segundo o documento a que a Inforpress teve acesso, à conjugação de políticas públicas executadas de forma positiva, ao aproveitamento da ajuda ao desenvolvimento, à promoção do sector privado e à contribuição das famílias, através das remessas dos emigrantes.

“A eficácia das políticas permitiu aumentar a credibilidade dos sucessivos governos e colocar Cabo Verde no quadro internacional como destino seguro para investimento”, refere o estudo.

De acordo com a pesquisa, que contém informações recolhidas entre 1990-2007, houve nitidamente um aumento “sensível do padrão de vida” e, consequentemente, a redução da pobreza absoluta.

No entanto, o documento indica a necessidade de focalizar políticas de ponto de vista de combate à pobreza, já que, de acordo com a Afrosondagem, “carecem de uma ênfase pró-pobre”, uma vez que “não têm impedido o crescimento das desigualdades e o crescimento da pobreza relativa”.

Seja como for, os dados divulgados referem que a pobreza absoluta reduziu-se de 40 por cento para 37, enquanto a pobreza extrema absoluta baixou de 32 por cento para 20, no período de 1989-2002.

“As famílias pobres, embora representem 28 por cento da população, significam apenas 10 por cento das despesas, contra 90 por cento das despesas das famílias não pobres”, indica a amostra, sublinhando que essa assimetria é acentuada ao nível geográfica. Em simultâneo, os índices de desigualdades mostram o crescimento das diferenças sociais e a persistência do desemprego em taxas elevadas.

Em Cabo Verde, o desemprego tem afectado sobretudo os jovens e as mulheres. De acordo com os dados, a taxa de desemprego, em 2006, era de 18 por cento, para a população com 15 anos e mais. No entanto, para as mulheres, essa taxa era de 23 por cento, contra 13 para os homens.

Para os jovens dos 15 aos 24 anos, a taxa era de 41 por cento e, para as mulheres, no geral, de 25,1 por cento, respectivamente, para as mulheres e para os homens nesse escalão etário.

A situação económica e social é, de acordo com o documento da Afrosondagem, reflexo do “forte investimento” na Educação e na Saúde. Estas, refere o documento, contribuíram para que os cabo-verdianos tenham uma vida mais longa, mais saudável e mais produtiva.

“O ensino obrigatório de seis anos é verdadeiramente universal e a taxa de analfabetismo tem vindo a reduzir-se, de forma sustentada, nos último 30 anos (37 por cento em 1990 e 21 por cento em 2006), refere o estudo, indicando que cerca de 6, em cada 10 cabo-verdianos, têm um estabelecimento de ensino a menos de 15 minutos do seu lugar de residência e mais de 8, em cada 10, têm uma escola a menos de 30 minutos.

A esperança de vida aumentou 11 anos, de 1990 para 2007 (74 anos), tendo-se reduzido a taxa de mortalidade para 29/1000, de acordo com os resultados da pesquisa, que aponta uma taxa de 39,4 por cento das famílias que dispõem de água canalizada da rede pública.

Embora cerca de 74 por cento das famílias cabo-verdianas tenham acesso ao aos serviços de saúde a menos de 30 minutos, o estudo mostra, porém, que apenas 30,4 por cento das famílias têm acesso à rede de desgostos ou sépticas. Assim, de acordo com os dados, Cabo Verde já entrou num processo de transição demográfica, estando a população a crescer a uma taxa média anual de 1,8 por cento nesta década, contra 2,4, na década anterior.

Inforpress - www.inforpress.cv
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