Cabo Verde
Governo anuncia programa de urgência de 300 mil contos para fazer face ao mau ano agrícola | Governo anuncia programa de urgência de 300 mil contos para fazer face ao mau ano agrícola |
| 22-Out-2007 | |
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O Governo cabo-verdiano anunciou, hoje, a criação de um programa de urgência para todas as ilhas, num valor global de 300 mil contos, para fazer face às perspectivas de um mau ano agrícola.
O anúncio foi feito em conferência de imprensa pela ministra do Ambiente e Agricultura, Madalena Neves, após o encontro com uma missão conjunta da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e o Comité Inter-Estados de Luta conta a Seca no Sahel (CILSS) para a avaliação do ano agrícola. As perspectivas da produção agrícola nacional não são boas, podendo apresentar uma safra com resultados extremamente baixos, devido as tardias, deficientes e irregulares precipitações registadas, que não permitiram que as culturas se desenvolvessem em condições favoráveis. Aliás, em termos da produção do milho, Madalena Neves afirmou aos jornalistas que as «perspectivas não são boas», bem como a produção de pasto para o gado, sobretudo nas ilhas de Santo Antão, São Nicolau e todo o litoral de Santiago. «Espera-se alguma produção nas zonas altas. Vamos fazer a avaliação no terreno, durante esta semana», disse a ministra, recordando que a má distribuição e a concentração das chuvas nalgumas ilhas tiveram um impacto decisivo na redução do potencial de produção. Perante este cenário, o Governo elaborou, desde o mês de Julho, uma primeira proposta de programa de investimento público, que será ser materializada em função da evolução da campanha, mas Madalena das Neves garantiu que a primeira vertente deste programa está a ser desenvolvida, através do Ministério das Infra-estruturas e Transportes e Mar. A primeira fase do programa, que vai até Dezembro, abarca o domínio da pecuária e a intervenção é dirigida, segundo a governante, aos criadores das zonas de maiores dificuldades, com a recolha de pasto e o transporte para as localidades de maiores necessidades Segundo a ministra, a intervenção que criará cerca cinco mil postos de trabalho, visa também a criação de condições para melhorar a produção agrícola e pecuária, com vista a pôr fim a «este ciclo vicioso dos programas de urgência». «É preciso valorizarmos as condições de produção pecuária em Porto Novo, zonas áridas de Ribeira Grande e do Paul, em todo o litoral de Santiago, na zona Sul do Fogo e na zona leste de São Nicolau», explicou. Madalena das Neves disse que esta valorização da agricultura e da pecuária requer intervenções na mobilização da água e na introdução de novas raças, num trabalho dirigido aos criadores. De acordo com a ministra, é preciso capacitar, também, «as organizações comunitárias para esta mudança necessária e fundamental, no sentido de melhorar a segurança alimentar». Para além desta medida geral de apoiar os criadores com o pasto, o governo cabo-verdiano está a discutir com a missão do CILSS uma mensagem aos doadores e aos parceiros internacionais, que será apresentada em Novembro, durante uma reunião internacional em Bruxelas. A ideia, explicou Madalena das Neves, é fazer a integração da problemática das mudanças climáticas nos programas de intervenção. «Estamos a falar de uma mudança, não só a nível da região, mas a nível mundial, do clima, com a pluviometria cada vez mais aleatória e com ciclos de chuvas cada vez mais curtos», assegurou. Por isso, acrescenta a ministra, Cabo Verde quer ver integrada a vertente de luta contra a desertificação e as mudanças climáticas na agenda de cooperação internacional. Segundo Madalena das Neves, o executivo vai continuar com o programa de mobilização da água, através de furos e citou a campanha de perfurações que, neste momento, decorre em São Nicolau. Indicou que a mesma será feita em Santo Antão, onde serão equipados furos já realizados, e a construção de infra-estruturas para o aproveitamento da água. De acordo com a governante, será feito todo um trabalho junto dos criadores, com vista à introdução de melhorias na criação do gado, em termos de raça mais produtivas, e a introdução de unidades de transformação e valorização dos produtos. A horticultura de sequeiro é uma outra prática que se quer largada, bem como o desenvolvimento das unidades de transformação e conservação de produtos. «Nós vamos aproveitar o programa de urgência para introduzir e reforçar os elementos de mudança e modernização. É preciso consolidar este programa e criar as condições para que as famílias tenham um rendimento mais estável», sublinhou Madalena das Neves, indicando que há uma parceria com o Ministério da Qualificação e Emprego, visando a formação e capacitação dos produtores e a introdução de unidades de transformação do leite, por exemplo, com a produção do queijo, «em zonas onde esta tradição quase não existe». Inforpress - www.inforpress.cv Comentários (0)
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