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Governo apoia sector privado na solução do problema da areia em Cabo Verde
14-Dez-2007
O ministro de Estado, Infra-estruturas, Transportes e Mar, Manuel Inocêncio Sousa, reafirmou, hoje, na Praia, a disponibilidade do Governo em apoiar o sector privado na solução definitiva da problemática em torno da areia em Cabo Verde.
"O Governo continua disponível no sentido de viabilizar o aparecimento de mais operadores ou o fortalecimento daqueles que já estão a operar no mercado para a solução desse problema", afirmou Manuel Inocêncio Sousa.
O ministro, que falava na abertura de uma jornada de reflexão sobre a problemática da areia em Cabo Verde, disse, igualmente, que "o Governo está aberto para criar mais incentivos, ainda, caso venha a aparecer uma proposta mais consistente da parte do sector privado" para o abastecimento geral do mercado.
"Cabo Verde precisa de operadores do tipo diferente dos que neste momento operam no mercado. Precisamos de operações de maior escala e com as tecnologias de transporte e bombagem para se poder baixar o custo da areia no país", defendeu Manuel Inocêncio.
Na sua intervenção, o ministro defendeu ainda "uma importação mais massiva que permite fornecer todo o mercado nacional e desmotivar a exploração ilegal de areia" nas diversas praias do país.
"Não conseguiremos de facto sustentar o ritmo de construção no país e manter uma gestão ambiental sustentável se não consolidarmos a ideia de importação da areia. Essa é a principal opção do Governo e vamos fazer o máximo de esforços para viabilizar essa solução", afirmou.
Manuel Inocêncio insistiu na importação da areia como solução, tendo, a esse propósito, sublinhado que a própria dinâmica do mercado vai atrair cada vez mais operadores para solução dessa problemática.
Todavia, justificou a opção do governo, segundo disse, como forma de evitar o envolvimento directo do Estado nas operações de importação de areia, viabilizando sim o aparecimento de operadores privados.
O governante alertou, entretanto, que toda esta dinâmica de construção que se verifica no país, deriva do desenvolvimento turístico, razão por que defende a existência, também, de uma gestão ambiental sustentável, conservando as praias e dunas do arquipélago.
Refira-se, que a apanha de areia e outros inertes destinados à construção civil, nas praias e nos leitos das ribeiras, continua a constituir um dos principais problemas ambientais em Cabo Verde, facto que tem preocupado sobremaneira as autoridades.
A dinâmica da construção civil fez disparar rapidamente o negócio de inertes, particularmente a areia e o cascalho, atraindo, sobretudo na ilha de Santiago, uma grande franja de pessoas desempregadas, entre elas, mulheres chefes de família.
Por outro lado, é notório que a procura desenfreada desses inertes tem originado também muita especulação nos preços, que, em contrapartida terão directos no custo das obras.
Para minimizar os "desequilíbrios", e em defesa fundamentalmente do meio ambiente, o governo autorizou iniciativas de importação a partir do exterior, com destaque para negociações levadas a cabo com a Mauritânia, país que, como se sabe, possui imensos desertos de areia.
Neste encontro de reflexão realizado na Praia, participaram engenheiros, arquitectos, representantes dos municípios, sector do ambiente, operadores do sector da construção civil, empresas ligadas a construção imobiliárias, entre outros participantes.
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