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...

José Maria Neves pede maior agressividade aos jornalistas
22-Nov-2007
O primeiro-ministro, José Maria Neves, apelou hoje, na Cidade da Praia, aos jornalistas cabo-verdianos a assumirem uma postura de maior agressividade no exercício da sua profissão. José Maria Neves falava na abertura da conferência internacional organizada pela Radiotelevisão Cabo-verdiana sobre «O Papel dos órgãos da Comunicação Social no Contexto da Democracia», que reúne de hoje até amanha, no Hotel Praia-Mar, dezenas de jornalistas e conferencistas.

Apesar dos avanços verificados no sector, com a publicação de mais jornais e a criação de mais rádios e televisão, o chefe do Executivo não deixou, porém, de lançar algumas críticas à comunicação social, referindo-se à existência de profissionais de informação que se deixam posicionar pelas suas preferências político-partidárias e pelas pressões de partidos políticos ou de determinados interesses económicos.

«Quando analiso a comunicação social cabo-verdiana, sinto que ainda há poucos debates, que há muitas debilidades ao nível dos telejornais, designadamente na televisão pública. Que há uma excessiva partidarização de determinados órgãos privados e não especialização das edições, dos editores e dos jornalistas», avança o primeiro-ministro.

O chefe do Governo fez referencia, igualmente, à necessidade da institucionalização do provedor de ouvintes, para servir de mediador entre o público e os órgãos, nomeadamente os do sector público.

O primeiro-ministro não deixou também de reconhecer a «inabilidade» da classe política em fazer a eleição dos membros do Conselho de Comunicação Social, inactivo há já alguns anos por falta de entendimento entre os principais actores para indicar as personalidades que devem integrar este órgão de controlo da actividade dos médias..

Para José Maria Neves, a parceria especial que se perspectiva entre o arquipélago e a União Europeia, vai abrir novas oportunidades para Cabo Verde, designadamente no domínio da comunicação social, permitindo elevar os padrões do desempenho do sector, mas, também, os padrões de exigência da classe jornalística.

«Esperamos que a comunicação social cabo-verdiana venha a contribuir para que haja mais liberdade, mais espaços de participação e mais possibilidades de controlo do exercício do poder», disse o primeiro-ministro.

O presidente da RTC, Marcos de Oliveira, afirmou, por sua vez, esperar que o fórum venha a ser benéfico para toda a classe e para todos os órgãos que também tenham responsabilidade na divulgação da informação

«O que se pretende com esta reflexão é que sirva de oportunidade para formação e o refrescamento de todos os profissionais, para um melhor desempenho», reconhecendo que, mesmo com as limitações existentes, a RTC pode fazer «mais e melhor».

O director da cooperação da RTP, José Arantes, que abordou o tema «O papel dos órgãos da comunicação social no contexto da Democracia», defendeu que num sistema democrático, como Cabo Verde, os meios de comunicação social deverão ter uma função central de dar expressões a todas as correntes de opinião.

E essa responsabilidade, garantiu o conferencista, será maior no caso dos meios estais de comunicação.

José António dos Reis, ao apresentar o tema a «RTC no contexto da Comunicação social cabo-verdiana», fez uma análise crítica à Rádio e Televisão Cabo-verdiana.

Relativamente à Rádio, este antigo tutela da Comunicação Social num dos governos do MpD, afirmou que este se encontra muito mais de acordo com as exigências do serviço público, talvez porque precise de menos meios para executar as suas tarefas. Mas, de acordo José António dos Reis, a questão não se resume a meios, mas sim à « vontade, motivação e cultura de fazer».

Neste sentido, é opinião do conferencista que a componente rádio vai um pouco mais à frente da TCV, que, na sua opinião, precisa duma injecção de motivação, a fim de realizar plenamente o seu papel de prestação de um serviço público de qualidade.

Inforpress - www.inforpress.cv
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