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Atentamente,

Amílcar Tavares.

...

Pedro Pires/Entrevista: "Garanto paz e estabilidade"
06-Fev-2006
Pedro Pires. Foto: Correio da ManhãPedro Pires, presidente da República de Cabo Verde em exercício, recandidata-se nas eleições do próximo dia 12 porque diz ter perfil e provas dadas na luta contra a pobreza e na ajuda ao desenvolvimento sustentado do país.
Correio da Manhã – O que o leva a recandidatar-se?

Pedro Pires – O apelo insistente de milhares de cabo-verdianos, tanto nas ilhas como na diáspora. Esse apelo era no sentido de eu continuar a assegurar, por mais cinco anos, a paz, a estabilidade que o país precisa e o prestígio externo, um dos factores do desenvolvimento de Cabo Verde. Por outro lado, tenho todas as condições e o perfil adequado para ser o presidente da transição de Cabo Verde para um país de desenvolvimento médio.

– Que diferenças existem entre si e o candidato Carlos Veiga?

– Há diferenças essenciais, direi mesmo um acentuado contraste entre nós os dois e as respectivas candidaturas. Julgo ter uma interpretação mais dinâmica e moderna das funções presidenciais, que não são meramente legalistas. A Presidência da República demanda uma complexidade moral, social, cultural. É uma magistratura complexa, na medida em que cruza o domínio de várias conjunturas e interpela à proximidade real e simbólica aos cidadãos. O presidente da República tem de ter perfil moral e ético, deve velar pelo cumprimento da Constituição. Outro aspecto é que eu sou um defensor intransigente dos interesses e princípios que enformam o Estado de Cabo Verde.

– Carlos Veiga diz que se for presidente será interventivo e acusa-o de não gostar da Constituição.

– Pura falácia! Temos sim, na prática, visões diferentes da Constituição. No meu primeiro mandato como presidente da República, tenho provas dadas do cumprimento e respeito pelos preceitos constitucionais. Não me furto à leitura política, social, cultural e outra da Constituição. Todo o cidadão cabo-verdiano deverá fazê-lo. Seria empobrecedor para a nossa cultura democrática se o nosso olhar fosse exclusivamente tecnicista, restritiva, fria e reducionista.

– O actual sistema político é mais adequado para si ou prefere um sistema presidencialista?

– O actual sistema político tem as suas virtudes. Nos últimos cinco anos o país libertou-se do stress em que se encontrava em 2001 e deu o salto qualitativo rumo à estabilidade, à governança e ao desenvolvimento. Há correcções e acertos a fazer, mas o actual sistema político é satisfatório e os poderes presidenciais também.

– Que assuntos ainda o preocupam. Se for eleito, irá propor para que o governo os resolva?

– Dois aspectos parecem-me de especial acuidade nesta fase particular. O empreendedorismo deve ser motivado de molde mais acutilante e temos de ser mais agressivos no combate à pobreza. Sou um político atento aos que mais precisam e à necessidade de os orientar para a cultura da iniciativa e da criação de riquezas. Outro aspecto é o desenvolvimento sustentável, que respeite o ambiente e equilibre a sociedade, advindo daí o bem-estar colectivo e a qualidade de vida.

– O facto de o PAICV ter ganho as Legislativas de 22 de Janeiro último com maioria absoluta e esse partido o apoiar é garantia da sua vitória?

– Espero vencer estas eleições porque as minhas propostas são mais inovadoras e coerentes. Além disso, tenho provas dadas e o povo cabo-verdiano conhece-me bem. Nunca o defraudei e sempre estive nas lutas em prol do colectivo cabo-verdiano. Fi-lo desde a minha juventude.

FRAUDES ELEITORAIS

“As pequenas irregularidades, que não se confundem com ilegalidades, nem indiciam fraudes, existem em todos os sistemas eleitorais do mundo. Em Cabo Verde, as pequenas irregularidades não têm determinado o resultado das urnas. É manifestamente indecoroso tentar manchar o bom nome do país e alienar a soberania eleitoral dos cidadãos com expedientes de secretaria. A cabala contra as instituições eleitorais revela que ainda há bolsas de maus perdedores, com défice de ‘fair-play’ e com alguma tentação autocrática”.

PERFIL

Pedro de Verona Rodrigues Pires foi combatente pela causa da liberdade do seu povo.

Liderou as negociações que conduziram à independência, a 5 de Julho de 1975, e encabeçou o movimento de reforma política que conduziu, em 1990, à abertura ao pluralismo partidário. Natural de Santana, Ilha do Fogo, Pedro Pires nasceu a 29 de Abril de 1934, é casado e pai de duas filhas. É em Portugal que Pedro Pires desperta para a política, no movimento anticolonialista. Foi membro da Casa dos Estudantes do Império e em 1961 abandonou clandestinamente Portugal, tendo-se juntado ao PAIGC, na Guiné-Conacri. Chefiou a delegação do PAIGC que negociou com o Governo português a independência do país e assinou o Acordo de Argel. Pedro Pires foi deputado, primeiro-ministro, líder da oposição, secretário-geral e presidente do PAICV. Em 2001, em disputa com Carlos Veiga venceu as eleições presidenciais.

Carlos Menezes - Correio da Manhã
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