Cabo Verde
Presidenciais'06: Carlos Veiga admite impugnar resultados | Presidenciais'06: Carlos Veiga admite impugnar resultados |
| 13-Fev-2006 | |
Na primeira declaração pública após as eleições de domingo, Carlos Veiga justificou a eventual impugnação das eleições, nomeadamente na parte que toca à votação na diáspora, com «a conhecida falta de controlo e democraticidade do processo eleitoral em alguns países».«Desde o início assumimos com coragem que a genuína vitória é aquela que é obtida com recurso a meios que a nossa Constituição permite e a nossa consciência impõe», disse Veiga, para quem «a vitória política deve andar sempre de mãos dadas com a lisura moral». Perante os resultados provisórios, quando faltam apurar apenas duas mesas de voto em 1184, Veiga esclareceu que, mesmo perante «as muitas irregularidades denunciadas antecipadamente e comunicadas às autoridades eleitorais», os dados disponibilizados oficialmente pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) lhe garantem a vitória em Cabo Verde, excluída a votação na diáspora. No entanto, os dados oficiais da Direcção Geral da Administração Eleitoral (DGAE) apontam em sentido contrário, com Pedro Pires a obter em território nacional 50,1% dos votos, contra 49,9% para Veiga, diferença que é engrossada com a votação na emigração. No que respeita à diáspora, Carlos Veiga confirmou a tendência, adiantando que os resultados apurados pela CNE relativamente à votação realizada fora do país, apontam para uma vantagem da candidatura adversária (de Pedro Pires). «Naturalmente que algumas irregularidades detectadas nas votações em Cabo Verde vão ser objecto de reclamações a nível de assembleia de apuramento, seguindo a tramitação normal», garantiu o candidato. Já «no que respeita à votação no exterior» e «considerando a conhecida falta de controlo e democraticidade do processo eleitoral em alguns países», o candidato pediu para que se aguarde «serenamente a conclusão do apuramento», para «tomar uma posição definitiva» não afastando «a possibilidade da sua impugnação». Carlos Veiga aproveitou para agradecer a todos os cabo-verdianos que lhe manifestaram a «esperança e os seus votos», tanto no país como no exterior. «É minha profunda convicção de que a minha candidatura era uma candidatura necessária a Cabo Verde, era a candidatura da democracia, da liberdade e da tolerância», disse, adiantando que era ainda a melhor resposta «aos grandes desafios que o país vai enfrentar nos próximos tempos». «Fizemos uma excelente campanha, com poucos recursos financeiros mas alegre, colorida e pacífica, pautada sempre pela pedagogia política, com ênfase na divulgação de ideias e projectos», disse. Veiga garantiu que o «ponto de honra» foi «manter sempre o nível de intervenção política num patamar elevado, pedagógico, sem recurso a agressões verbais, com respeito escrupuloso pelo adversário e pelas regras do jogo democrático». O candidato, que não dirigiu qualquer palavra à candidatura de Pedro Pires, lançou ainda um apelo aos seus apoiantes «e a todos os cabo-verdianos» para «manterem a serenidade e aguardarem com tranquilidade os resultados finais». Nesta primeira intervenção de Carlos Veiga depois das eleições de domingo, os jornalistas não puderam colocar perguntas, mas o candidato prometeu voltar a falar logo que esteja concluído na íntegra o processo de apuramento dos votos. Diário Digital / Lusa
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