Angola: Agente da polícia suspeito de mais um disparo sobre cidadão
20-Dez-2007
Um cidadão foi atingido por um disparo de um agente da polícia no bairro do Grafanil, Luanda, depois de uma divergência entre ambos, noticiou hoje a imprensa da capital.
O agente que alegadamente disparou sobre o civil estaria fora de serviço.
Em declarações à Lusa, o porta-voz da Polícia Nacional, Divaldo Martins, disse que o caso ainda não é do conhecimento da polícia.
"Não temos ainda nenhuma informação sobre o caso, mas estamos a investigar", disse.
Uma testemunha, em declarações à Rádio Eclesia, disse que a vítima, funcionário de uma pensão, está hospitalizada, depois de ter sido atingida por uma bala.
"Por volta das 20:00 de terça-feira, um polícia à paisana atingiu o rapaz com um tiro no peito e pôs-se em fuga", explicou a testemunha.
Segundo o porta-voz da polícia, "é necessário investigar se o agressor pertence mesmo à polícia" já que se encontrava à paisana".
"Estamos investigar porque pode tratar-se de um indivíduo qualquer armado", salientou.
Os casos de mortes e ferimentos de cidadãos pela polícia nacional angolana têm-se sucedido nas últimas semanas, tendo já morrido cinco pessoas, entre os quais dois jovens actores que se encontravam a filmar uma cena para um filme amador sobre a delinquência juvenil no bairro do Sambizanga.
Entretanto, o comandante-geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, apelou hoje aos seus efectivos a manterem a calma durante as suas operações de tranquilidade para a quadra festiva.
"Peço que estabeleçam todos os parâmetros de civismo, que trabalhem de forma afincada e que cumpram com as suas obrigações de trabalho, de moral, de respeito às pessoas e de comportamento, para que não tenham quaisquer situações que possam vir a manchar o bom nome da corporação", disse.
Na sequência destes casos, o comandante-geral da Polícia criou uma comissão que em oito dias deverá apresentar resultados sobre as causas desses incidentes.
Sobre o rol de mortes, vários partidos e pessoas singulares têm manifestado a sua repulsa pelos factos, tendo hoje a Frente para a Democracia (FPD) exprimido, em nota de imprensa, a sua "indignação" pela "onda de violência que recrudesce sobre a população indefesa".
"Para além dos espancamentos arbitrários, assiste-se a disparos mortais que agora marcam o dia-a-dia dos bairros, mercados e ruas, principalmente em Luanda", refere a nota.
Também a UNITA já lamentou a situação e pediu medidas eficazes que ponham cobro a este ciclo de violência.
O Bairro de Sambizanga, onde aconteceram as duas mortes dos jovens actores, é um dos mais violentos da capital angolana, ao ponto de a própria polícia ter dificuldades em actuar no seu interior.
Em Luanda é do conhecimento geral que a polícia tem dificuldades em algumas áreas, nomeadamente o Sambizanga, Prenda, Cazenga, entre outros bairros da periferia de Luanda.
Agência Lusa - www.lusa.pt
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