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Estamos em processo de remodelação e reformulação. Esperamos ser breves.

Atentamente,

Amílcar Tavares.

...

Brasil e Portugal estão de "acordo" na reforma ortográfica
16-Set-2007
O embaixador de Portugal em Brasília, Francisco Seixas da Costa, afirmou hoje que o Brasil e Portugal defendem posições comuns sobre a necessidade de uma reforma ortográfica. Num artigo intitulado "Estamos de Acordo!", publicado hoje no jornal O Estado de São Paulo, Seixas da Costa salientou, entretanto, que Portugal passa por um processo de reflexão sobre as mudanças a serem feitas.

"Gostava de deixar bem claro que Portugal defende, como sempre defendeu, a importância de se caminhar num processo de harmonização ortográfica, em especial pela dimensão estratégica desse passo na capacidade de afirmação da língua portuguesa no Mundo", afirmou.

Seixas da Costa salientou que, pela parte portuguesa, o acordo assinado em 1990 poderia ter entrado em vigor em 1994, "o que não aconteceu por razões a que Portugal foi então alheio".

"A circunstância de tal não ter ocorrido acabou por suscitar no meu país uma reflexão mais amadurecida sobre os efeitos, em especial editoriais, das mudanças que o acordo implicaria", disse.

Segundo o diplomata, o governo português não pode deixar de ser sensível a este debate, "tanto mais que as alterações que atingiriam a norma de Portugal são bem mais significativas que no Brasil".

"É do saldo final dessa reflexão, a qual deverá também atentar nos períodos de vigência dos manuais escolares, que vai depender a definição da posição portuguesa, que também tem de passar pelo necessário período de adaptação, antes da vinculação definitiva a uma futura norma comum", referiu.

Seixas da Costa salientou ainda que, nas relações luso-brasileiras, "parece por vezes existir um tropismo no sentido da dramatização das pequenas dissonâncias".

"A questão do acordo ortográfico parece estar a ser um desses temas, como se uns anos a mais ou a menos na conclusão de um texto trouxessem algum mal ao Mundo, que viveu sem ele até agora", afirmou.

O artigo lembra que o desejo "de caminhar para uma norma comum" para a língua portuguesa, conduziu, em 1990, à assinatura de um acordo ortográfico.

Esse acordo deveria ter entrado em vigor, para todos os então sete subscritores, em 1994, sendo ratificado por Portugal logo em 1991.

Dois protocolos modificativos foram, entretanto, assinados, sendo o primeiro, em 1998, eliminando a data de 1994 como limite para a entrada em vigor do acordo, "por se constatar a inexistência de ratificações suficientes até então".

Um segundo protocolo consagrou a entrada de Timor-Leste e determinou que o texto do acordo pudesse entrar em vigor com a ratificação por parte de apenas três países.

No fim de 2006, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe haviam ratificado esse segundo protocolo, "pelo que é entendido que o acordo pode entrar em vigor".

Seixas da Costa salientou, no entanto, que "algumas vozes consideram que, não obstante estes requisitos formais estarem preenchidos, seria importante que Portugal estivesse associado, desde o início, à entrada em vigor do novo acordo".

Pela aplicação das novas normas ortográficas, 1,6 por cento do total do vocabulário usado em Portugal (e nos restantes países que seguem a norma portuguesa) deverá sofrer adaptações.

No Brasil, por seu turno, essas mudanças abrangem apenas 0,5 por cento do total das palavras.

Na última quinta-feira, Seixas da Costa defendeu, durante encontro na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, que a reforma ortográfica seja feita em etapas.

"As consequências de natureza económica no campo editorial, decorrentes de uma futura entrada em vigor do acordo, têm naturalmente uma expressão diferenciada de país para país, o que impõe a necessidade de se encarar um faseamento no tempo de tais efeitos", salientou.

Seixas da Costa visitou a ABL ao lado de embaixadores de países de língua portuguesa acreditados no Brasil, nomeadamente Angola, Cabo Verde e Moçambique.

Agência Lusa - www.lusa.pt
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