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Cabo Verde: Professor catedrático advoga novo conceito para Lusofonia
20-Mar-2006

A língua portuguesa é o elemento seguro para garantir a continuidade da Comunidade de Países de Línguia Portuguesa (CPLP) advogou sexta-feira o professor catedrático da Faculdade de Letras da Univercidade de Lisboa (UL), na cidade da Praia.

Fernando Cristóvão, co-coordenador e co-autor do Dicionário Temático da Lusofonia, lançado em Portugal em finais de 2005, e, agora apresentado em Cabo Verde, sustentou a tese e que a língua é o elemento fundamental da comunidade lusófona por ser o único imutável.

Para o docente e também dirigente da Associação de Cultura Lusófona, questões como a política, a religião ou a economia não são valores seguros como a língua na construção das comunidades de países por causa da sua "permanente imutabilidade".

Quanto aos pressupostos que estiveram na génese da elaboração do Dicionário Temático da Lusofonia, Cristóvão disse entender ter havido uma redefinição do conceito de lusofonia, que não é apenas o universo dos lusofalantes - seja o português, a língua materna ou oficial -, mas, "avançando um passo importante", também a questão da "língua do património".

Este Dicionário Temático da Lusofonia tem carácter enciclopédico "porque abrange todo o universo lusófono" e surge já assente nesta nova dimensão do conceito de Lusofonia.

Editada pela Texto Editores, a obra conta com 358 colaboradores, na sua maioria oriundos da CPLP, e é agora apresentada em Cabo Verde, o segundo país a poder ter acesso a ela.

Fernando Cristóvão, que está em Cabo Verde no âmbito da apresentação da obra, na passada quarta-feira, na sede do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), foi citado pela Lusa como tendo dito que o dicionário enciclopédico é "um novo caminho" que se abre no universo lusófono.

Organizado por ordem alfabética como os tradicionais dicionários, este tem, porém, uma dimensão diferente, tendo em conta que é composto por verbetes ou artigos assinados por autores convidados e abrange temas que vão da Língua à Banca, passando pela Geografia, História, Política, Espectáculos, Cinema, Rádio ou, entre vários outros, a Religião no mundo lusófono.

Segundo Cristóvão, o Dicionário é a materialização de uma ideia do poeta português Fernando pessoa, quando escreve que a sua Pátria é a língua portuguesa, frase que "muitos interpretaram no campo do simbólico", apenas porque "desconhecem" as suas raízes.

Para o professor universitário, a frase de Fernando Pessoa tem como pano de fundo uma outra ideia defendida em 1902 - pelo menos duas décadas antes - pelo brasileiro Sílvio Romero, que já então "defendia que os países - Brasil e Portugal - e as colónias (portuguesas) deviam formar uma federação para se defenderem das cobiças das grandes potências da altura, com base na língua comum".

Advoga ainda Cristóvão que a língua é o "único elemento imutável", não desaparece, permitindo uma sólida composição às comunidades de países, porque tanto a política, "com mudanças de regimes", como a religião, por exemplo, "onde os estados podem passar de religiosos a laicos ou vice-versa", sofrem metamorfoses naturais.

Na organização do dicionário, assinalou, não foram tidas em conta as origens dos colaboradores/autores dos verbetes, que são 358, nem a sua ideologia ou religião.

A obra agora lançada em Cabo Verde, e que será apresentada em Moçambique a 09 de Abril, e posteriormente em Angola e Brasil, é algo de totalmente novo, não só no universo lusófono, mas também no francófono ou noutros, referiu ainda.

Entre os colaboradores figuram, por exemplo, o ex-Presidente da Assembleia da República portuguesa Almeida Santos, que escreve sobre o processo de descolonização, Adriano Moreira, que escreve sobre a colonização, o constitucionalista Jorge Miranda, o bispo Ximenes Belo e o escritor Urbano Tavares Rodrigues.

Este Dicionário Temático da Lusofonia foi apoiado na fase de elaboração, que durou cinco anos, pelo Instituto Camões, e pelas fundações Calouste Gulbenkian, Luso-Americana para o Desenvolvimento, Eng. António de Almeida e Oriente.

Foram, na primeira edição, impressos três mil exemplares. A capa tem um fundo amarelo, porque é a cor comum a todas as bandeiras dos países lusófonos.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste

ANGOP

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