| Cinco portugueses detidos há um ano em Cabo Verde |
| 04-Abr-2006 | |
Cinco jovens portugueses, alegadamente apanhados nas malhas do tráfico internacional de droga, estão detidos nas cadeias de Cabo Verde há cerca de um ano.Quatro rapazes e uma rapariga com idades entre os 19 e os 24 anos - três a aguardar julgamento - foram acusados de tentarem introduzir cocaína na Europa, dando corpo a um novo fenómeno no tráfico de droga a partir de Cabo Verde. Foram todos apanhados pela polícia cabo-verdiana no aeroporto do Sal quando alegadamente se preparavam para transportar quantidades variadas de cocaína para Portugal. Actualmente, dois estão detidos na Cidade da Praia, outros dois no Sal, onde decorre o seu julgamento, e um em São Vicente. A prisão é partilhada por jovens holandeses e franceses, também eles a aguardar julgamento. O fenómeno é recente e é explicado por fontes judiciais, contactadas pela agência Lusa, como uma «alteração estratégica» por parte dos traficantes de droga que há vários anos usam o arquipélago de Cabo Verde como plataforma para fazer entrar cocaína oriunda da América do Sul na Europa. O fenómeno é reconhecido pelas autoridades locais, que admitem necessitar de ajuda internacional para o combater. Outra das lacunas importantes, reconhecida pelo governo cabo- verdiano, é a ausência meios para fiscalizar as extensas fronteiras marítimas. Depois de dar entrada no arquipélago, a cocaína tem como destino final a Europa, sendo este o momento em que «entram em cena» os chamados «correios» ou «mulas». Estes «correios» da droga são angariados em Portugal e noutros países europeus para se deslocarem ao arquipélago como turistas transportando, no regresso, uma carga adicional de droga, cocaína na maior parte dos casos. Depois de, nos últimos três anos, terem sido detidos dezenas de cidadãos cabo-verdianos e de outros países de África por posse de cocaína no aeroporto do Sal, recentemente começaram a ser detidos europeus, portugueses na sua maioria. As áreas onde são recrutados os «correios», em Portugal, são as de maior complexidade social, integradas na cintura urbana de Lisboa. A troco de quantias que rondam os cinco mil euros, os jovens «aceitam» o risco inerente ao tráfico de droga ou são nele envolvidos ao chegarem a Cabo Verde para ir «buscar um embrulho», desconhecendo o seu conteúdo. O cônsul de Portugal na Cidade da Praia, José Amaral, explicou que «em alguns casos», para além do apoio normal, médico ou jurídico, «é-lhes também dado apoio em alimentação, vestuário», ou são-lhes facilitados os contactos telefónicos com a família, para os quais nem sempre têm posses. José Amaral considera a situação «preocupante» ao ponto de «já se ter pensado em lançar uma campanha de alerta e de sensibilização» em Portugal, alertando para o risco destas situações. Deste grupo de portugueses, detidos nos últimos 12 meses, apenas um foi julgado e declarado inocente pelo tribunal, aguardando-se nas próximas semanas a conclusão do julgamento de mais dois jovens, que está a decorrer na ilha do Sal. As molduras penais aplicáveis podem ir até aos oito anos de cadeia, dependendo do grau de envolvimento no tráfico. Expresso África - http://africa.expresso.clix.pt Comentários (0)
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