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Coordenador guineense contra o narcotráfico rejeita acusações
30-Out-2007
O coordenador do Plano de Combate ao Tráfico de Droga da Guiné-Bissau, Nelson Moreira, insurgiu-se contra as acusações da comunidade internacional em relação ao governo guineense no âmbito do combate ao flagelo. "Não compreendemos as sucessivas acusações de que estamos a ser alvo por parte da comunidade internacional, como se tivessem colocado à nossa disposição quaisquer meios para combater o flagelo", refere Nelson Moreira, num comunicado enviado à Agência Lusa.

O responsável reagia a notícias de meios de comunicação nacionais e estrangeiros publicadas nos últimos dois meses e a fóruns internacionais em que foi discutido o tráfico de droga e a Guiné-Bissau classificada por narco-Estado.

"A questão é de tal maneira preocupante que nós, enquanto técnicos ligados ao sector, sentimo-nos obrigados a insurgir-nos a fim de esclarecer a opinião pública nacional e internacional sobre a situação real deste fenómeno", refere.

Reconhecendo que o tráfico de droga ameaça a estabilidade do país, Nelson Moreira sublinha, contudo, que os "países produtores e de destino final da droga têm mais responsabilidades na luta" contra o narcotráfico.

Até porque, acrescenta no documento, têm "mais recursos humanos, materiais e financeiros capazes de responderem a qualquer ameaça e não estados frágeis como a Guiné-Bissau".

O coordenador do Plano de Combate ao Tráfico de Droga guineense recorda igualmente que as "drogas não são produzidas e consumidas no país".

O responsável sublinha ainda que os "narcotraficantes se estão a aproveitar das condições geoestratégicas do país e da fragilidade das instituições para o transformar numa placa giratória".

No comunicado de três páginas, Nelson Moreira explica o trabalho que o governo guineense tem feito no âmbito do combate ao tráfico de droga, nomeadamente a legislação especial, cuja moldura penal inclui três, 15 e 25 anos de prisão.

O responsável refere também que a Guiné-Bissau aderiu e ratificou todas as convenções da ONU de combate à droga.

"A luta contra o tráfico de droga constitui uma das prioridades do executivo guineense e o seu combate exige recursos humanos, materiais e financeiros que permitam a implementação de um sistema regular e permanente do controlo e fiscalização extensiva do território", lembra Nelson Moreira.

"A Guiné-Bissau carece daqueles recursos, pelo que a ajuda da comunidade internacional se mostra imprescindível", sublinha o responsável, lembrando que os narcotraficantes têm à sua disposição dinheiro que supera muitos orçamentos de Estado.

Nesse sentido, Nelson Moreira apela aos países economicamente mais fortes para disponibilizar meios aos estados mais débeis no âmbito de uma luta conjunta contra o tráfico de drogas.

Um relatório publicado segunda-feira pelo Escritório da ONU contra as Drogas e Crime revelou que a África Ocidental totaliza 99 por cento das apreensões de cocaína realizadas no continente durante os primeiros nove meses deste ano.

O documento refere que entre Janeiro e Setembro deste ano foram apreendidas 5,7 toneladas de cocaína em África, 99 por cento das quais no Senegal, Mauritânia, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Guiné Equatorial.

Agência Lusa - www.lusa.pt
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