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Eleições em 2008 permitirão à Unita a construção de Angola "verdadeiramente democrática"
06-Dez-2007

O presidente da Unita afirmou hoje que o seu partido pretende "criar em Angola um estado verdadeiramente democrático e de direito", acreditando que, para tal, são "importantes" as eleições legislativas marcadas para 2008.

Isaías Samakuva defendeu esta ideia num almoço que teve lugar na Póvoa de Varzim com empresários, associações patronais e outras entidades.

O dirigente do maior partido da oposição em Angola encontra-se desde ontem em Portugal e regressa amanhã ao seu país.

Samakuva afirmou ser "preciso que a reconstrução e reconciliação nacional se façam com instituições democráticas devidamente normalizadas", lembrando que "Angola não tem eleições há 15 anos".

Por isso, e em sua opinião, as instituições angolanas "estão caducas".

O líder da Unita acredita que a renovação dessas instituições, e do seu mandato político, pode ser feita "com maior credibilidade" ao abrigo de uma "democracia real, que funcione e que não seja tutelada"

"Não uma democracia de faz de conta", frisou.

Com as eleições legislativas de 2008 e presidenciais de 2009, as expectativas são, para o líder da Unita, "realizar mudança do país, mudança muito ansiada pelos angolanos.

Samakuva pensa que o "país tem condições psicológicas e materiais" para avançar nessa direcção.

A sua convicção é que "Angola precisa dessa mudança, uma vez que partido que está no poder [MPLA] não só lá está há 32 anos, como também levou o país para a ruína".

Samakuva, que vai liderar a Unita naqueles dois actos eleitorais, dirigiu-se aos empresários que com ele almoçaram, fazendo uma breve referência à guerra civil, que opôs o seu partido ao MPLA.

"Todos somos culpados da guerra e todos fomos vítimas", disse.

O que importa agora, prosseguiu, "é construir uma base sólida para o futuro" de Angola e para isso a Unita, se chegar ao poder, contará com os portugueses, que "sabem o que nós não sabemos", por exemplo, sobre as aptidões do solo angolano.

Uma das ideias, que certamente caiu bem entre os presentes, foi que a Unita acha que "os investidores estrangeiros precisam de ter leis que os protejam e que garantam o repatriamento dos lucros do seu investimento".

"Pensamos que o investimento deve ter garantias para que as pessoas se sintam atraídas a ir para o nosso país", reforçou Samakuva.

Nesse sentido, abordou o problema dos vistos necessários para entrar em Angola.

Muitos empresários queixam-se de que a obtenção de um visto leva muito tempo, cerca de "15 dias", segundo o próprio presidente da Unita.

"Temos de facilitar a entrada dos investidores e nós [Unita] queremos contribuir para que as coisas sejam melhoradas", reforçou.

Isaías Samakuva fez votos para "que as eleições sejam um ponto de viragem e que, daqui a um ano, a Unita ganhe as eleições e constitua governo".

O líder da Unita frisou que embora "Angola esteja estável e no bom caminho - com uma das mais altas taxas de crescimento do mundo, fruto das receitas geradas pelo petróleo - no terreno, mesmo em Luanda, pode ver-se a miséria que grassa no país".

Agência Lusa - www.lusa.pt

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