| Emigração Ilegal: Barco com cadáveres tem ligações a Portugal |
| 30-Mai-2006 | |
|
O mistério de onze corpos encontrados num barco ao largo das ilhas de Barbados, nas Caraíbas, tem ligações a Portugal, Cabo Verde e Guiné-Bissau, informaram hoje as autoridades e jornais de Barbados. Tudo começou quando, no passado dia 29 de Abril, ao largo de São Filipe, em Barbados, um pescador detectou um barco de seis metros de comprimento à deriva e alertou as autoridades para a presença de 11 corpos em decomposição no seu interior. Um bilhete de avião das linhas aéreas do Senegal e mensagens deixadas pelas vítimas foram algumas das pistas seguidas pelas autoridades para desvendar a tragédia que abalou Barbados, mais habituada a iates com turistas do que a embarcações com corpos em avançado estado de putrefacção. As autoridades estão convencidas de que muito mais de onze pessoas se encontravam a bordo quando a embarcação deixou Cabo Verde no dia de Natal do ano passado. Segundo fontes policiais, pensa-se agora que, entre 40 e 52 pessoas, partiram nesse dia para tentar alcançar as ilhas Canárias, o destino agora preferido por imigrantes ilegais em busca da Europa. As investigações indicam que os imigrantes tinham chegado a Cabo Verde pelos seus próprios meios em semanas anteriores e pago cerca de 1.300 Euros cada a um cidadão espanhol não identificado para os transportar para as Canárias. O barco foi, no entanto, pilotado por um senegalês e avariou- se ao largo da Mauritânia. A embarcação foi depois rebocada, não se sabe por quem, mas segundo relatos na imprensa de Barbados as autoridades estão convencidas de que o cidadão espanhol que organizou o transporte terá estado envolvido na operação de reboque para o alto mar. O barco com os imigrantes foi depois abandonado no alto mar. As autoridades de Barbados afirmam que as onze vítimas encontradas a bordo morreram de fome e sede. Depois de abandonada no alto mar a embarcação foi levada por ventos e correntes numa viagem de quase cinco mil quilómetros até ser detectada, 135 dias depois, ao largo de Barbados. As autoridades afirmam que muitos dos passageiros caíram ao mar ou foram deitados ao mar pelos outros passageiros depois de morrerem. Duas mensagens encontradas nos corpos das 11 vítimas a bordo atestam o desespero dos imigrantes ilegais e a sua preocupação em garantir a entrega dos seus poucos fundos aos seus familiares. "Quero enviar dinheiro à minha família em Bassada. Por favor desculpem-me e adeus. Isto é o fim da minha vida neste mar de Marrocos", diz uma das mensagens encontradas pelas autoridades escrita numa das línguas do Senegal, sem assinatura. "Sou do Senegal mas estava em Cabo Verde há um ano. As coisas estão muito más. Não penso que vou sobreviver. Preciso que quem quer que me encontre envie este dinheiro à minha família. Favor telefonar ao meu irmão Ibrahim", diz outra mensagem assinada por Diao Sounkar Dieme. As autoridades disseram ter conseguido contactar familiares de algumas das vítimas. O senegalês Ibrahim Dieme contou que, tanto quanto sabia, o seu irmão Diao tinha viajado para Cabo Verde dois meses antes da partida da embarcação e confirmou o pagamento de 1.300 Euros a um traficante espanhol para a viagem. Um cidadão da Guiné-bissau, Seiny Dabo, foi também identificado. Uma outra vítima, Bouba Cisse, da Gâmbia, tem um irmão a viver em Portugal, Abdou Karime Cisse, que confirmou ao jornal de Barbados The Nation que o seu irmão o tinha informado da viagem. Bouba contactou Abdou em Portugal antes da partida pedindo-lhe ajuda financeira para pagar a viagem. "Eu disse-lhe na altura que não tinha meios para o ajudar", disse Abdou Karime ao jornal The Nation. A Interpol está agora envolvida nas investigações e ofereceu um prémio de 50.000 Euros por informações sobre o misterioso espanhol que organizou a viagem. Regiao de Leiria - www.regiaodeleiria.pt Comentários (0)
![]() A VozDiPovo-Online quer saber a sua opinião sobre esta notícia. Comente
Os comentários são escrutinados, sendo excluídos todos os conteúdos racistas, xenófobos, difamatórios e atentatórios da boa imagem dos visados. Antes de deixar o seu comentário, registe-se aqui. É rápido e gratuito. Se já está registado, clique na "Área do Membro" situada no topo desta página.
|
| Quem Somos |
| Equipa |
| Estatuto Editorial |
| Regulamento Redactorial |
| Termos de Utilização |
| Ajuda |
| Fale Connosco |
| Mapa do Site |
| Pesquisa Avançada |