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Ex-ministro guineense acusa CEMFGA de criar instabilidade nos quartéis
29-Out-2007
O ex-ministro da Administração Interna da Guiné-Bissau Baciro Dabó acusou o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié, de estar a realizar acções para criar instabilidade nos quartéis, em carta dirigida ao primeiro-ministro. Numa carta "confidencial" datada de 10 de Setembro, divulgada hoje pelo Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses, Baciro Dabó, exonerado na semana passada pelo Presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira, escreveu que "fontes seguras e dignas de crédito" indicaram que o CEMGFA, Tagmé Na Waié, terá efectuado reuniões com as chefias militares, durante as quais o tema da conversa terá sido a "incompetência do governo face à situação das Forças Armadas".

Na pretensa reunião do general Tagmé Na Waié com as diferentes unidades militares do país, o CEMGFA terá sugerido que o governo de Martinho N`Dafa Cabi nada faz para resolver as dificuldades nas casernas, ao contrário do anterior executivo, que tinha "projectos louváveis que podiam resolver definitivamente o problema das Forças Armadas", lê-se na carta de Baciro Dabó.

Nas suas "reuniões de esclarecimento", Tagmé Na Waié apenas terá sido contrariado pelo Comando da Marinha, que se terá oposto às intenções do CEMGFA em "criar mau estar nos quartéis", sublinha ainda Baciro Dabó na carta.

Sexta-feira passada, ao usar da palavra na cerimónia de transferência de poderes entre Baciro Dabó e o novo ministro da Administração Interna, Certório Biote, o primeiro-ministro guineense, Martinho N`Dafa Cabi, instou os agentes dos serviços de Informação do Estado (a "Secreta") a estarem atentos ao crime organizado e deixarem de lado informações sobre golpes de Estado.

"Em democracia, a polícia tem de se preocupar com o tráfico de influências, crime organizado, porque esta coisa do golpe de Estado já passou à história. Nem gosto de ouvir falar em golpe de Estado", disse Martinho N`Dafa Cabi, instando os agentes dos diferentes ramos da "secreta" guineense a "enterrarem os métodos arcaicos de trabalho".

Fontes ligadas às Forças Armadas guineenses indicaram à Agência Lusa que a carta de Baciro Dabó teria precipitado a sua exoneração, depois de o CEMGFA assim o exigir junto do Presidente João Bernardo "Nino" Vieira.

Segundo as mesmas fontes, o CEMGFA pondera avançar com o caso para as instâncias judiciais militares, alegando que Baciro Dabó é um major da polícia na reserva.

Agência Lusa - www.lusa.pt
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