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Guiné-Bissau: MAI refuta acusação de plano para matar o seu antecessor e anuncia queixa-crime
17-Dez-2007

O ministro da Administração Interna da Guiné-Bissau considerou hoje "infundadas" as acusações feitas contra si, na sexta-feira, pelo seu antecessor, Baciro Dabó, sobre um plano para o assassinar.

Certório Biote, actual ministro guineense da Administração Interna (MAI), falava à Agência Lusa em Lisboa, onde se encontra integrado na delegação guineense que participa, quarta-feira, na Conferência Internacional sobre o Narcotráfico na Guiné-Bissau, chefiada pelo primeiro-ministro Martinho N`Dafa Cabi.

"As acusações são infundadas. Já basta de mentiras e de declarações de inventores. Isso, para este governo, e para mim, já passou à história, faz parte do século passado", acrescentou o MAI guineense, que disse ter dado já instruções ao seu advogado, em Bissau, para intentar uma queixa-crime contra Baciro Dabó.

"Assim que chegar a Bissau apresentarei uma queixa-crime", sublinhou Certório Biote, dirigente do Partido da Renovação Social (PRS), afirmando ser "uma pessoa de bem" e que o seu passado "fala por si".

O ministro guineense, que já exerceu idêntico cargo na pasta dos Transportes e Comunicações, tendo também ocupado a chefia da Direcção-Geral das Alfândegas e que foi, até recentemente, presidente do Tribunal de Contas, adiantou estar "tranquilo".

"Baciro Dabó (exonerado do governo em Novembro último) quer fazer-me calar e está com receio do que eu estou aqui a fazer. Estou tranquilo a fazer um inventário do que existe e do que foi comprado para o Ministério da Administração Interna e isso preocupa-o bastante", justificou o ministro, que também é advogado.

Ainda sobre as acusações, Certório Biote, que presidiu durante quatro anos (2002 a 2006) uma agremiação desportiva, o Atlético Clube de Bissorá, adiantou que cabe agora ao Ministério Público averiguar se Baciro Dabó pode provar o que afirmou.

"As pessoas na Guiné-Bissau devem ter cautela com as pessoas que sabem inventar. Esse tipo de invenções, de montagens, ocorriam no passado. Basta! Chega! Não podemos continuar a inventar, a fazer montagens. Há pessoas que, enquanto não as fizerem, não sabem viver", sublinhou.

"Eu sou uma pessoa de bem. Sou um homem moderno. Sou um intelectual. Sou um dos bons filhos da Guiné-Bissau e quero fazer o bem para o país. Não sou de intrigas, como o meu acusador pretende fazer", acrescentou, lembrando que está em Lisboa "ao serviço" do seu país.

Sexta-feira passada, numa carta dirigida ao Parlamento, Baciro Dabó, que recentemente se filiou no Partido Africano da Independência da Guiné e cabo Verde (PAIGC, maior força política do país), acusou Certório Biote de querer assassiná-lo em "conluio com uma alta patente das Forças Armadas locais.

Na carta, a que a Lusa teve acesso, também entregue na Presidência da República e nas representações diplomáticas acreditadas em Bissau, o ex-MAI comunicou, "com carácter de urgência", ao Presidente do Parlamento, Francisco Benante, a existência de um alegado plano de Certório Biote para o assassinar.

Baciro Dabó não revelou o nome do oficial em causa, apenas adiantando que o ministro da Administração Interna tem frequentado o quartel do Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA), em Bissau, "em reuniões de concertação".

O alegado plano seria executado por um militar que, após o acto, seria promovido de alferes a major, lê-se ainda na carta de Baciro Dabó.

Baciro Dabó é major na reserva e ex-agente dos serviços secretos guineenses, sendo considerado próximo do Presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira.

Desde que foi exonerado, foram várias as ocasiões em que Dabó veio a público denunciar que está a ser perseguido alegadamente por elementos ligados ao MAI e ao EMGFA.

Já hoje, num comunicado, o PAIGC afirmou estar "preocupado" com a denúncia de Baciro Dabó, considerando-a "grave", e pediu às instâncias competentes para que efectuem uma "investigação profunda", com o objectivo de se apurarem responsabilidades.

Para tal, o PAIGC, de Carlos Gomes Júnior, quer uma comissão independente e apolítica para que se possa apurar "a verdade material dos factos denunciados" por Baciro Dabó.

Baciro Dabó deu hoje nova conferência de imprensa na qual reafirmou a existência de um plano para o assassinar, tendo referido que, se tal vier a acontecer, "as pessoas já saberão quem são os autores do crime".

"Já avisei as instâncias competentes e a comunidade internacional. Se um dia vier a ser assassinado, as pessoas já sabem quem são os autores e estes serão imediatamente capturados", disse Baciro Dabó.

Agência Lusa - www.lusa.pt

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