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...

Guiné-Bissau: Militares ameaçam prender deputados
30-Mar-2006

"A partir de hoje, vamos dar ordens para prender os que descobrimos que andavam a mobilizar a tropa na caserna para fazer golpes de Estado. Mesmo que seja presidente de um partido isso não interessa. E a detenção será com porrada. Se morrer, isso não é da nossa conta", afirmou Tagmé Na Waie.

Nas declarações, o CEMGFA nunca apontou os nomes dos deputados mas deixou implícito tratar-se de alguns ligados ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), uma vez que falou de "pessoas que perdem eleições (presidenciais) e que vão logo pedir apoio aos rebeldes para criar confusão" no país.

"Não podemos admitir que as pessoas que perdem eleições vão logo pedir apoio aos rebeldes para criar confusão no país", vincou Tagmé Na Waie, numa alusão ao facto de o PAIGC ter perdido a votação presidencial para João Bernardo "Nino" Vieira.

"Nunca pediremos autorização ao Parlamento por questões da fronteira. Se formos por aí, então as nossas pernas serão cortadas. Já dissemos que mesmo que seja um deputado do Parlamento Europeu vamos prendê-lo. A Guiné- Bissau não é propriedade de ninguém. Mesmo que seja o presidente do Parlamento do Mundo", acrescentou.

Admitindo que a situação na fronteira entre o Senegal e a Guiné-Bissau é "grave", Tagmé Na Waie chamou a atenção para o facto as provas do envolvimento de vários deputados terem surgido na sequência da prisão de 12 elementos da ala radical dos separatistas do MFDC liderada por Salif Sadjo, frisando que, a partir de agora, "chega de prisioneiros".

"Ainda hoje recebemos mais prisioneiros. Já temos 12, número de sobra para provar o que queremos. A partir de agora, não vamos mais trazer prisioneiros. Vamos tomar decisões contra os rebeldes e contra os que colaboram com eles. Chega de prisioneiros", avisou.

O CEMGFA guineense reiterou a acusação feita na semana passada de que há políticos a apoiar a rebelião em Casamança, garantindo que o Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) vai "provar" quem são os políticos que fornecem armamento e géneros alimentares.

"Somos patriotas na nossa terra. Quem quer fazer política que o faça no seu partido, mas não beliscando os interesses do povo. A Guiné-Bissau não pode ser campo de treino de tiro. Quem quer ensinar a manejar armas de fogo não pode utilizar o país para ensaiar", disse.

Tagmé Na Waie insistiu na ideia de que "alguns partidos trouxeram os rebeldes para se servirem deles" durante a campanha eleitoral das presidenciais de Junho e Julho de 2005.

"Também já dissemos que qualquer militar que entrar na política, mesmo que seja marechal, será corrido das FA.

Mas também estaremos ao lado de qualquer cidadão que vencer as presidenciais. Não somos corruptos. Quem perder eleições que vá para casa e deixe o vencedor governar", vincou.

Sobre o conflito no norte da Guiné-Bissau, Tagmé Na Waie reafirmou que a situação é "grave", pois "alguns rebeldes" encontram-se em operações militares em território guineense, nomeadamente em Ponta Roxo e Barraca Mandioca, ambas no noroeste do país.

"Os bandidos - disse - estão a cometer actos criminosos, colocando minas na estrada que liga São Domingos a Susana (noroeste). As pessoas dizem que não se deve tratar mal quem vier pedir guarida na nossa casa. Mas, se essa pessoa está a fazer mal, vamos continuar a cozinhar boa comida para ela? Isso não pode ser".

Agência Lusa - www.lusa.pt

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