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Moçambique diz que paga Cahora Bassa ainda este ano
11-Out-2007
Moçambique vai pagar ainda este ano a dívida de 700 milhões de dólares a Portugal relativos à reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), garantiu à Lusa, em Brasília, o ministro moçambicano da Energia, Salvador Namburete. "Cahora Bassa vai ficar com os moçambicanos e falta pouco. Nós temos o compromisso de pagar ao governo português até o dia 31 de Dezembro deste ano e esta dívida será quitada em breve", afirmou.

Salvador Namburete avançou à Lusa que será assinado proximamente um acordo entre o governo moçambicano e o banco francês Calyon, em associação com o BPI, vencedor de um concurso público realizado em Fevereiro, para o pagamento dos 700 milhões de dólares a Portugal.

"Depois deste pagamento, ficamos com 85 por cento de Cahora Bassa. E não haverá passagem do controlo do empreendimento para os bancos. A garantia do financiamento são os fluxos de venda de energia. O controlo do empreendimento fica nas mãos do Estado de Moçambique", assinalou o ministro.

Namburete falava à Lusa à margem da II Enerbio, evento que inclui na sua programação em Brasília, de 9 a 11 de Outubro, uma conferência internacional dos biocombustíveis.

No mês passado, por ocasião da visita do Presidente Armando Guebuza a Brasília, Moçambique e Brasil assinaram um acordo para implementar um plano de cooperação na área dos combustíveis renováveis.

"Esperamos aprofundar a cooperação com Brasil para obter assistência, sobretudo técnica, mas também financeira, no sentido de avançarmos no conhecimento desta área e evitarmos erros", destacou o ministro.

Salvador Namburete instou empresários brasileiros a investirem em Moçambique, lembrando que o país tem bom clima, muita água, 36 milhões de hectares de terra aráveis e outros 41 milhões que podem ser melhorados, além de boas condições para receber investimentos estrangeiros.

"Temos condições para produzir todos os biocombustíveis de que nós precisamos, a partir de oleagionosas ou da cana-de-açúcar, e para reduzirmos a dependência em relação ao mercado internacional de combustíveis fósseis", sublinhou.

Moçambique importa cerca de 600 mil toneladas de combustível por ano, nomeadamente dos países do Médio Oriente, e mais de 15 mil toneladas de gás para distribuição doméstica.

"São cerca de 400 milhões de dólares de factura anual de combustíveis. Para um país com poucos recursos, esta factura é bastante pesada. E mais pesada ainda é saber que, a qualquer momento, podemos ficar sem o produto. Esta é a principal motivação para apostarmos nos biocombustíveis", justificou o ministro.

Agência Lusa - www.lusa.pt
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