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Oposição são-tomense acusa Governo de proteger corruptos
26-Nov-2007
O secretário-geral adjunto e líder parlamentar do partido da oposição Acção Democrática Independente (ADI), Evaristo Carvalho, acusou o Governo remodelado do primeiro-ministro são-tomense, Tomé Vera Cruz, de albergar supostas personalidades corruptas, soube-se no fim-de-semana de fonte partidária. Carvalho adiantou que o Governo está a albergar alegados corruptos ao permitir a permanência no Executivo de Delfim Neves como titular das Obras Públicas e a reentrada de Ovídeo Pequeno para o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros.

"Há uma figura que todos conhecemos e que a oposição vem questionando - é o titular da pasta das Obras Públicas. Defendíamos que o Governo ficasse mais ou menos limpo, mas ao invés disso, vemos o regresso para a pasta dos Negócios Estrangeiros de uma figura contestada pela oposição, pois há menos de dois anos estava a ocupar o lugar e houve uma polémica a volta de um processo no âmbito da cooperação entre São Tomé e Príncipe e Marrocos que não ficou totalmente claro", disse.

A insistência da ADI para que Delfim Neves fosse demitido resulta de suspeitas de movimentação ilegal de mais de um milhão de dólares americanos resultantes dum ajuda extraordinária disponibilizada por Taiwan à São Tomé e Príncipe.

As suspeitas recaíram sobre si porque ele terá usado o valor para efectuar pagamentos a uma empresa portuguesa a quem o Governo tinha adjudicado as obras de construção duma doca para conservação e comercialização de pescado sem que ela estivesse inscrita no Orçamento Geral do Estado para 2007.

Na altura, a oposição criticou Delfim Neves por ter, ele próprio, captado o investimento, conduzido o processo de adjudicação e feito o pagamento, sem cumprir com os trâmites legais exigidos para o efeito:

Como agravante, ele anunciara dias antes que Taiwan já tinha avançado 30 por cento do montante da obra, mas o valor do cheque revertido para a conta da empresa portuguesa correspondia apenas a 25 por cento do valor total do projecto da doca.

Por seu lado, a oposição está estupefacta pela nomeação de Ovídeo Pequeno, uma vez que há cerca de ano e meio ele fora demitido pelo Presidente Fradique de Menezes por suspeitas de corrupção.

As suspeitas surgiram depois de a Auditoria e Inspecção Financeira (AIF) são-tomense ter revelado num relatório, sérias irregularidades na gestão de 407 mil euros do programa quadrienal de cooperação entre São Tomé e Príncipe e Marrocos cometidas por Pequeno.

Até agora, os dois casos ainda não foram clarificados pelas instâncias judiciais, pelo que as suspeitas de corrupção continuam a pesar sobre eles.

Por isso, a ADI não acredita que a remodelação do Executivo de Vera Cruz traga grandes novidades, a menos que este "seja capaz, astuto e dinâmico no sentido de minorar certa desconfiança que a oposição vai manter em relação ao Governo".

O maior partido da oposição, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), também já veio a público dizer que a solução de remodelar o governo "não trará melhorias na qualidade e na forma da governação".

Para o secretário-geral do MLSTP/PSD, José Viegas "São Tomé e Príncipe perdeu mais uma oportunidade de encontrar uma solução mais duradoura, mais sustentável e mais compatível com as exigências da nação", que devia passar pela demissão em bloco do Executivo.

Na semana passada, por altura da tomada de posse dos novos membros da sua equipa, o primeiro-ministro Tomé Vera Cruz desafiou a oposição a dialogar como forma de salvar as ilhas da difícil situação socioeconómica em que está mergulhada.

"Quero apelar a todas as forças políticas a eleger o diálogo como forma de ultrapassar as divergências e assegurar que o Governo está aberto e optará por esta via desde que seja criado clima para o efeito", garantiu Vera Cruz, para depois alertar os seus ministros contra o populismo.

"A credibilidade deste Governo ajudará sobremaneira na mobilização de recursos financeiros externos, a nível bilateral e multilateral pelo que espero de vós uma postura digna de homem de Estado, irrepreensível na sua atitude perante o trabalho e na gestão transparente da coisa pública", sublinhou.

"Não será tarefa fácil, mas acredito que estais conscientes das dificuldades com que iremos conviver num país de economia frágil onde os recursos são escassos e em certas ocasiões inexistentes", alertou o primeiro-ministro.

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