| PAIGC pede a «Nino» Vieira que demita governo guineense |
| 11-Jan-2006 | |
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O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das últimas legislativas na Guiné- Bissau, convidou esta terça-feira o chefe de Estado guineense a demitir o actual governo de Aristides Gomes «em nome da estabilidade» do país.
O «convite» do PAIGC a «Nino» Vieira foi feito por Carlos Gomes Júnior, presidente desta formação política, quando recebia cumprimentos de Ano Novo de militantes, na sua maioria mulheres, do partido. «Convido o presidente da República - João Bernardo Nino Vieira - a reflectir seriamente em nome da estabilidade do nosso país e a demitir este governo, pois não tem nenhuma legitimidade para governar», considerou Carlos Gomes Júnior. O presidente do PAIGC advertiu o chefe de Estado de que terá «dificuldades» em viabilizar a acção do «seu» executivo e a própria Guiné-Bissau, caso não aceite o «conselho» do seu partido, porque, acrescentou, «jamais fará vida fácil» a Aristides Gomes, nomeadamente, no Parlamento. O governo de Gomes Júnior foi demitido por «Nino» Vieira a 28 de Outubro passado. O PAIGC detém a maioria no Parlamento, por isso, avisou, o programa do governo e o Orçamento Geral de Estado, que ainda não têm data para a sua apresentação no Parlamento, serão chumbados. «Vamos ver no Parlamento como é que este governo poderá viabilizar o OGE e o seu programa de governação se o PAIGC continuar a deter a maioria de deputados», disse Carlos Gomes Júnior. Aludindo ao que considerou serem os «superiores interesses» do país e do PAIGC, assegurou que até aceita afastar-se da «pretensão legítima» de formar um novo governo por ser presidente eleito do PAIGC dando lugar a um dos vice-presidentes do partido, neste caso a Martinho Ndafa Cabi, ex-ministro da Defesa, para liderar um novo gabinete. Por outro lado, o presidente do PAIGC voltou a questionar a decisão do presidente guineense de exonerar o seu governo, afirmando ser caso «inédito no mundo democrático» um partido vencedor de eleições e na mesma legislatura ser «relegado para a oposição». «Isso seria o cúmulo, mas vamos dizer que estamos firmes para voltar a ocupar o lugar que o povo nos confiou nas urnas», defendeu Carlos Gomes Júnior, na opinião do qual os apoiantes do presidente «Nino» Vieira estão a tentar «ludibriar» a opinião pública quando invocam a «pretensa» legitimidade do Fórum de Convergência para o Desenvolvimento (FCD) como espaço político para suportar a maioria no Parlamento. O PRS de Kumba Ialá, o PUSD de Francisco Fadul e dissidentes do PAIGC juntaram-se ao FCD, reclamando uma maioria no Parlamento, dando suporte ao governo de Aristides Gomes. Em comum têm o facto de terem apoiado a candidatura de «Nino» Vieira nas presidenciais de Junho passado. Por seu turno, Satu Camará, vice-presidente do PAIGC, considerou que a atitude de «Nino» Vieira em relação ao seu partido simboliza a tentativa do chefe de Estado de «matar a democracia» guineense. «O presidente quer matar a democracia, mas que fique a saber que o PAIGC jamais estará do seu lado nessa intenção», disse Satu Camará, deputada e primeira vice-presidente do Parlamento. Segundo a deputada, a intenção de «Nino» Vieira é fazer voltar a Guiné-Bissau a viver sob um regime presidencialista «onde seria rei e senhor». Diário Digital/Lusa
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