| Países de Língua Portuguesa enviam missão ao Timor Leste |
| 19-Jun-2006 | |
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O Conselho de Ministros da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) decidiu hoje enviar uma missão ministerial ao Timor Leste para analisar a situação do país e estudar as medidas que a organização pode tomar. O ministro das Relações Exteriores de São Tomé e Príncipe, Carlos Gustavo dos Anjos, que ocupa a presidência rotativa da organização, disse após a reunião extraordinária, em Lisboa, que essa missão incluirá também técnicos em diversas áreas. A ministra de Estado da Administração Estatal do Timor Leste, Ana Pessoa, que representou seu país no Conselho, destacou a importância da missão. Já o ministro português das Relações Exteriores, Diogo Freitas do Amaral, defendeu que a CPLP coopere com o Timor, com uma atuação coordenada com as Nações Unidas. Segundo Freitas do Amaral, três diretrizes deverão orientar a política da CPLP em relação ao Timor Leste: "Afastar a idéia de que se trata de um Estado falhado, defender a necessidade de uma força militar e policial das Nações Unidas no país e participar ativamente dessa força através de todos os seus Estados-membros". No comunicado final do Conselho, os ministros apóiam "o pedido das autoridades timorenses para uma nova missão das Nações Unidas, com componentes policial, militar e civil" e fazem votos para que "as deliberações da ONU estabeleçam uma moldura política e jurídica adequada que permita uma contribuição efetiva da comunidade internacional para o êxito desses esforços". A ex-colônia portuguesa na Ásia vive uma crise desde abril, iniciada com confrontos entre militares e policiais e marcada por ataques de grupos de civis armados. Segundo a ONU, o conflito deixou pelo menos 37 mortos e mais de 130 mil deslocados internos. A desintegração da Polícia Nacional e as divisões nas Forças Armadas levaram as autoridades timorenses a pedirem à Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal o envio de forças militares e policiais. Segundo o chefe da diplomacia timorense, José Ramos Horta, o Conselho de Segurança da ONU aprovará amanhã a prorrogação do mandato de sua atual missão no país por mais dois meses. Na reunião de hoje, participaram também os ministros das Relações Exteriores de Angola, João Bernardo de Miranda, e Moçambique, Alcinda António de Abreu; o subsecretário-geral da política para África, Ásia, Oceania e Oriente Médio do Brasil, Pedro Motta Pinto Coelho; o secretário de Estado das Relações Exteriores de Cabo Verde, Domingos Pereira Mascarenhas; o secretário de Estado da Cooperação Internacional da Guiné-Bissau, Tibna Sambe Nauana; e o secretário executivo da CPLP, Luís de Mattos Fonseca. Situação no Timor A ministra Ana Pessoa informou a seus colegas que a situação no Timor Leste "está bastante melhor", com "sinais encorajadores, principalmente na população e nas comunidades, que estão ganhando confiança". Questionada sobre as acusações feitas pelo ex-ministro do Interior Rogério Lobato, de que o presidente Xanana Gusmão estaria envolvido em uma suposta tentativa de golpe de Estado contra o primeiro-ministro Mari Alkatiri, limitou-se a afirmar que, "se forem confirmadas, são inadmissíveis". No entanto, a ministra lembrou que a investigação sobre as acusações trocadas recentemente entre as principais figuras políticas timorenses será feita por uma comissão independente internacional indicada pelas Nações Unidas. Agência Lusa - www.lusa.pt Comentários (0)
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