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PR de Moçambique defende continuação das negociações do Acordo Parceria Económica
10-Dez-2007

O presidente de Moçambique, país que já rubricou o Acordo de Parceria Económica (APE) com a União Europeia, defendeu hoje, em Lisboa, a continuação das negociações comerciais entre Europa e África.

"Acredito que vamos continuar a negociar no âmbito do novo espírito de parceria euro-africano e não de doador/beneficiador", disse Armando Guebuza em conferência de imprensa.

Os APE vão substituir o Regime de Comércio Preferencial que existia com as Convenções de Lomé e de Cotonou, considerado como contrário às regras internacionais de comércio pela OMC, que impôs a sua supressão até final de 2007.

Um total de 13 países africanos já assinou estes documentos. Mas o Senegal, Nigéria e África do Sul continuam a resistir a este acordo tido como chave para as novas relações entre a União Europeia e o continente africano.

O Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, deixou hoje de manhã os trabalhos da cimeira com um apelo aos países africanos para que rejeitem estes acordos.

"Para nós acabou. Pedimos à União Europeia que inicie novas negociações com a União Africana sobre os acordos comerciais entre os dois continentes e espero que isso possa acontecer ainda este mês de Dezembro", defendeu Wade

O Presidente de Moçambique, que fez um balanço "positivo" da cimeira UE/África, disse que "partilha do optimismo" do governo português relativamente ao sucesso da cimeira, considerando que "valeu a pena" ter participado na reunião de Lisboa.

"As condições de trabalho vão melhorar. A Cimeira permitiu dar uma nova abordagem" no relacionamento euro-africano, sublinhou.

Armando Guebuza adiantou que os princípios estabelecidos na cimeira vão agora ser trabalhados a nível dos países e dos dois continentes.

Sobre a presença do Presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, na reunião, Armando Guebuza considerou que "valeu a pena" e comprovou que "estabeleceu-se diálogo" na cimeira de Lisboa.

Na conferência de imprensa, o Presidente de Moçambique falou ainda do interesse das empresas portuguesas Galp e Visabeira investirem no país na área dos biocombustíveis, sublinhando que as iniciativas vão "ser analisadas".

"Nós achamos que seria útil que as empresas portuguesas se envolvessem em negócios em Moçambique, não só no petróleo como em outras áreas", disse.

A II Cimeira UE/África, que reuniu sábado e domingo, em Lisboa, cerca de uma centena de chefes de Estado e/ou de Governo africanos e europeus, aprovou uma Parceria Estratégica sem precedentes, que regulará, a longo prazo, as relações políticas, económicas e comerciais entre os dois continentes.

Naquela que foi a maior reunião política de alto nível realizada na Europa nas últimas décadas, a Cimeira adoptou ainda o primeiro Plano de Acção, com projectos a executar, no curto prazo (2008-2010), entre os dois continentes, o qual prevê mecanismos de controlo de aplicação e de acompanhamento.

Os líderes europeus e africanos aprovaram um documento de natureza política, designado Declaração de Lisboa.

A realização da segunda Cimeira euro-africana era uma das três grandes prioridades da actual presidência portuguesa da UE, que se iniciou em Julho e termina no final deste mês.

Na organização da cimeira assumiu particular relevo o braço-de-ferro entre o Reino Unido e o Zimbabué, com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, a recusar-se a vir a Lisboa devido à presença do chefe de Estado zimbabueano, Robert Mugabe, cujo regime é alvo de sanções europeias por autoritarismo e violações dos direitos humanos.

A primeira Cimeira UE/África realizou-se em Maio de 2000, no Cairo, durante a anterior presidência portuguesa do bloco europeu.

Agência Lusa - www.lusa.pt

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