São Tomé e Príncipe rejeita assinatura de Acordos de Parceria Económica com Europa
18-Dez-2007
O Presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, rejeitou a assinatura dos Acordos de Parceria Económica (APE) com a União Europeia, considerando que a abertura comercial seria "um choque forte" para o arquipélago.
Segundo a Panapress, Fradique de Menezes defendeu a necessidade de o arquipélago fazer primeiro "as lições de casa", antes de avançar para uma possível adesão aos APE.
"Não temos nada de troca para resistirmos a uma abertura completa do mercado. Quais são as exigências que podemos fazer à União Europeia?" questionou, adiantando que São Tomé e Príncipe "é um país pequeníssimo, cujo único produto de exportação é o cacau".
Fradique de Menezes disse que "por enquanto" e "após análise da sub-região não existem condições para a assinatura dos APE".
O Presidente são-tomense disse ainda que existem outros projectos que o país precisa de realizar antes de assinar os APE com a União Europeia, tal como a revitalização da produção agrícola, que permitirá a criação de um sector primário exportador.
Fradique de Menezes junta-se assim ao grupo encabeçado pelos chefes de Estado senegalês, Abdoulaye Wade, e sul-africano, Thabo Mbeki, contra os APE, durante a II Cimeira UE/África, realizada em Lisboa, durante a presidência portuguesa da União Europeia, que termina no próximo dia 31.
Os APE vão substituir o Regime de Comércio Preferencial que existia com as Convenções de Lomé e de Cotonou, considerado como contrário às regras internacionais de comércio pela OMC, que impôs a sua supressão até final de 2007.
Um total de 13 países africanos já assinou estes documentos. Mas o Senegal, Nigéria e África do Sul continuam a resistir a este acordo tido como chave para as novas relações entre a União Europeia e o continente africano.
No final da Cimeira UE/África, que decorreu nos dias 08 e 09 deste mês, o Presidente do Senegal apelou aos países africanos para rejeitarem os APE.
"Para nós acabou. Pedimos à União Europeia que inicie novas negociações com a União Africana sobre os acordos comerciais entre os dois continentes e espero que isso possa acontecer ainda este mês de Dezembro", defendeu Wade.
Agência Lusa - www.lusa.pt
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