| 18 escritores cabo-verdianos representados numa inédita antologia de conto |
| 02-Nov-2006 | |
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Com a chancela da Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) Associação Saúde em Português, será lançada em Cabo Verde em inícios do próximo mês de Dezembro, e posteriormente em Portugal. Reúne 26 contos de 18 autores (Germano Almeida, Carlos Araújo, Joaquim Arena, Kaká Barbosa, Fátima Bettencourt, João Branco, Vera Duarte, Ondina Ferreira, Manuel Figueira, Tchalê Figueira, José Vicente Lopes, Leão Lopes, Vasco Martins, Le Vlad Nobre, Marilene Pereira, Luísa Queirós, Ivone Ramos e Mário Lúcio Sousa). Na obra foram ainda inseridos 18 desenhos do pintor Tchalê Figueira, criados propositadamente para Tchuba na Desert. Ao lançar-se a ideia de organizar uma obra desta natureza pretendeu-se dar uma panorâmica do momento actual da narrativa de ficção caboverdiana, três décadas passadas sobre a independência do país. Ao invés de evidenciar um definhamento produtivo, que num olhar apressado se tenderia a acolher, dada a diminuta divulgação no exterior de obras e de escritores, Tchuba na Desert confirma um elevado dinamismo criativo por parte de uma geração de autores que a 5 de Julho de 1975, quando se proclamava a independência do país, vivia ainda na meninice, na adolescência ou na verde juventude, e que então da escrita literária ainda pouco uso faria a exaltar a caboverdianidade. "Quando lançámos mão à ideia quisemos desafiar os autores a fazer um quase instantâneo da dinâmica da criação literária. Muitos deles escreveram propositadamente para esta antologia, outros disponibilizaram inéditos de produção recente. Por uma questão metodológica entendeu-se que Tchuba na Desert deveria reunir apenas escritores residentes no país, por serem estes os que mais dificuldades terão em dar a conhecer as criações no exterior" diz Francisco Pontes. O universo de autores convidados não se confinou ao dos ficcionistas, mas igualmente a cultores de outros géneros literários e a alguns que exercitam áreas artísticas em diálogo com a literatura. A opção perfilhada traduz-se em algumas estreias na narrativa de ficção, atingindo-se com ela um dos objectivos cimeiros: de funcionar como indutora da criação e do surgimento de novos autores. À generosidade dos autores, que se disponibilizaram a ceder os direitos autorais de edição, respondeu esta ONGD com o compromisso de aplicar os proventos da sua comercialização num projecto social em Cabo Verde. Uma dádiva que, assim, retorna à sua origem. Apesar de a obra utilizar a língua portuguesa como meio veicular, optámos por um título em caboverdiano, por assim melhor se explicitar a alma do projecto – Tchuba (chuva) e Desert (deserto), dois elementos estruturantes da invenção e reinvenção permanente do país, temas que acabam por ser recorrentes na criação artística nacional. Uma conjugação de conceitos que aqui também pretende funcionar como arquétipo da esperança – uma chuva que mingua mas ilhas, mas uma chuva intensa transformada em literatura, que através desta antologia intentará fecundar a terra árida que é quase sempre a recepção de uma manifestação cultural do outro. A concretização desta obra conta já com o apoio financiero de algumas câmaras municipais portuguesas, da Cooperação Portuguesa e do Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, decorrendo ainda contactos com outras instituições públicas e privadas. Perspectivam-se ainda outras parcerias capazes de divulgar nos restantes países de língua portuguesa, junto das comunidades africanas de língua portuguesa, organizações, centros de cultura e língua espalhados pelo mundo e de outros polos interessados na recepção da obra. "Desejamos, agora, que Tchuba na Desert impulsione leitores, instituições, estudiosos e editores a um olhar diferente sobre a literatura caboverdiana. Que essa tchuba que ajudamos a precipitar difunda oásis, os aproxime, e seja cada vez mais vivificante." Acrescenta Francisco Pontes. A aventura que constituiu a concretização deste projecto foi possível porque a Saúde em Português através do Dr. Hernâni Caniço, o seu presidente, soube encarar a cooperação como algo de transversal; a literatura e cultura como áreas de solidariedade a acoplar à missão primeira – a intervenção humanitária. Graças aos autores que, sem reservas, acreditaram no projecto e na generosidade do seu postulado. Pela adesão das entidades que, com a concretização da obra em andamento, se quiseram associar, tornando-a materialmente possível. A Saúde em Português é uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, constituída por médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, que desde a sua fundação em 1993 tem vindo a desenvolver a sua acção solidária no mundo lusófono, em ajuda humanitária e ao desenvolvimento. Em Cabo Verde, tem intervido fundamentalmente na área da formação em saúde e educação, em Santiago, S. Vicente, Sal e Maio. Morada: Comentários (0)
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