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Celina Pereira faz da preservação das tradições orais missão de uma vida
06-Ago-2007
A cantora Celina Pereira revelou hoje à Agência Inforpress no Mindelo ser sua missão continuar a luta pela preservação do património oral do arquipélago, sem o qual “não há identidades”. Vinte anos depois, Celina Pereira regressou ao palco do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas, e revela estar “bastante agradada” com a resposta da juventude cabo-verdiana.

“Pelo que senti na sexta-feira no festival, quero dar os parabéns aos jovens do Mindelo e de Cabo Verde, porque penso que a auto estima volta a estar em cima e quando assim é há uma vitória da juventude, da cultura, da memória, da tradição”, diz a cantora que reside em Lisboa.

Celina Pereira, recorde-se, foi uma das vozes da “mega serenata” que inaugurou a 23ª edição do festival, e de lá diz ter trazido uma mensagem enviada pelo público: este quer artistas cabo-verdianos no palco da baía, sem pôr de lado, diz, uma ou outra participação internacional, até para mostrar que Cabo Verde está aberto ao mundo.

O equilíbrio que houve este ano, opina, é um sinal que mostra que o público também quer muito os artistas nacionais, quer vê-los, por que se trata de um palco de consagração, para se mostrar o que é melhor. Mas também em palco estiveram muitos jovens menos conhecidos, acrescenta, e que “mereciam ter um mínimo de visibilidade, espécie de pontapé de saída”, e, por isso, dá os parabéns à organização por essa capacidade.

“Para mim o interesse dos jovens é sinal claro de continuação das tradições das ilhas e vamos continuar a ter mornas, coladeiras, rabolo, batuque, funana, tabanka, lundum, contra dança, polka, mazurka enquanto tivermos a coragem de mostrar tudo isso em palco”, acrescenta.

Para Celina Pereira as “nossas identidades” passam pelas referências que subiram ao palco na sexta-feira, pelo que, houve uma diversidade tão grande que revela muito desta riqueza.

Ao rebobinar o “filme” de há 20 anos atrás quando lançou o LP “Força di Cretcheu”, e em que interpretou mazurka, rabolo, cantiga de funeral, morna galopada da Boa Vista, entre outros, Celina não esquece “aqueles” que a criticaram por gravar “coisas velhas e antigas”.

“Eu senti que o mal que foi dito de mim como cantora por ter escolhido aquele repertório há 20 anos atrás é o bem que me acontece hoje porque a auto estima dos jovens cabo-verdianos é muito alta e está num nível fantástico”, avança.

“Eu acho que vai continuar a ser minha missão continuar nesta luta da preservação do património oral, por que a vitória é dos jovens”, concluiu Celina Pereira.

Inforpress - www.inforpress.cv
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