| Corsino Fortes concita jovens a lerem Teixeira de Sousa como homenagem ao escritor |
| 03-Mar-2006 | |
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O presidente da Associação de Escritores Cabo-Verdianos (AECB), Corsino Fortes, considerou, que a grande homenagem que se pode fazer a Teixeira de Sousa, falecido hoje, na sequência de um atropelamento, é “concitar os jovens a lerem a sua obra”. Corsino Fortes referiu-se à morte do médico e escritor com um duplo sentimento de “perda”, mas também de orgulho por “Cabo Verde ter no seu panteão homens com a dimensão” do autor de “Capitão de Mar e Terra”. “Todas as mulheres e homens de cultura de Cabo Verde neste momento, de ‘per si’, e de conjunto, têm um grande sentimento de perda. Sentimento que é a expressão da amputação de um membro, pela violência da morte de Teixeira de Sousa”, afirmou Corsino Fortes, visivelmente emocionado. O presidente da AECB lembrou que há poucos meses Teixeira de Sousa esteve em Cabo Verde para lançar aquela que viria a ser a sua última obra. Na ocasião, falou de uma série de projectos que tinha em mente, recorda Corsino Fortes, nada fazendo prever esta “perda tão bruta e violenta”. Apesar da “profunda tristeza” pela morte prematura, o presidente da AECB manifesta o “orgulho que qualquer homem de cultura de Cabo Verde sente por um país tão pequeno ter homens grandes como Teixeira de Sousa” que vai para o panteão, onde já figuram nomes como o de Manuel Lopes e Eugénio Tavares, como “um dos construtores desse património que é a cabo-verdianidade”. A grande homenagem que o país pode agora prestar ao médico e escritor, falecido hoje, é “concitar os jovens a lê-lo” e a fazer tudo para que a “sua obra seja divulgada com a maior extensão possível”, apontou Corsino Fortes aconselhando a quem se estreia na leitura de Teixeira de Sousa a começar pelo contos “Contra Mar e vento”, Durante uma conversa telefónica com a Inforpress, o presidente da AECV referiu-se a Teixeira de Sousa como “um homem muito sui generis”, porque, como explicou, ele “começa a tecer uma literatura na base de um estudo sociológico e com uma profunda noção filosófica sobre essa estrutura social”. A obra do autor de “Ilhéu de Contenda” assenta, segundo Corsino Fortes, em dois eixos, um radica na Ilha do Fogo e o outro na ilha de S. Vicente. “Ele estudou profundamente as duas ilhas e vai mostrar como se estruturam essas duas sociedades”, sublinha adiantando que Teixeira de Sousa “não se fica por aí”. Tem ainda “contos belíssimos” e, com grande base científica, deixou muita obra escrita sobre nutricionismo, sendo um dos primeiros autores cabo-verdianos e escrever sobre saúde. É um escritor que “começa pelos estudos sociológicos sobre a realidade cabo-verdiana, desde o negro até ao branco, passando pelo mulato” e que “está mais perto do romance francês, do que do brasileiro, próximo do Movimento Claridade”, acrescenta o presidente da Associação de Escritores Cabo-Verdianos. A morte “prematura” de Teixeira de Sousa impediu, de acordo com Corsino Fortes, o florescimento de um novo ciclo na obra do escritor e que tem início com a publicação do seu último livro, intitulado “Oh! Mar das túrbidas vagas”. Segundo o presidente da AECB, neste livro o médico fala “de um conhecimento profundo que tem do pai”, a quem presta “uma grande homenagem”, e começa “outra saga, onde escreve sobre pessoas da sua família” e de uma experiência que liga todos os cabo-verdianos, o mar, a que Teixeira de Sousa se refere como essa “estrada de ligação entre ilhas” O pai do escritor era o Comandante John de Sousa, nascido na Ilha Brava e um desses homens conhecidos como “Lobos-do-mar” que na baia da Furna, na Ilha Brava, aprenderam a navegar, e que depois aprendem pilotagem em Lisboa ou no Brasil. Henrique Teixeira de Sousa nasceu na Ilha do Fogo, há 87 anos, e residia em Portugal, desde 1974, onde granjeou galardões e reconhecimento como homem de letras. O seu primeiro livro, “Contra mar e vento”, foi publicado em 1972, depois de ter espalhado por várias publicações. Escreveu para o Boletim de Cabo Verde, Certeza e Claridade, entre outros. A consagração chegaria, em 1977, com a publicação do romance “Ilhéu de Contenda”, que viria a ser adaptado para cinema, por iniciativa de Leão Lopes. Inforpress - www.inforpress.cv Comentários (0)
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