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Ferro Gaita fez cair o pano do 15º Festival Internacional de Música Gambôa’2007
21-Mai-2007
O 15º Festival Internacional de Música da Gambôa, na cidade da Praia, encerrou, hoje, em apoteose, cerca das 04 horas da manhã, com a actuação do grupo Ferro Gaita, num concerto memorável, perante uma assistência considerável. Os Ferro Gaita, já com “lugar cativo” no Gambôa, fizeram a noite mais mexida deste festival, ao conseguirem fazer chegar ao rubro o público presente no extenso areal, que, pacientemente, aguardara por este momento mágico, apesar do avançado da hora.

Indo, como sempre, ao encontro das raízes culturais da ilha de Santiago, a actuação dos Ferro Gaita estribou-se no “Funáná” (género musical típico desta ilha, com muito ritmo e laivos da África negra).

O espectáculo iniciou às 21 horas, conforme previsto, com a intervenção do grupo Rola Samba, tendo como pano de fundo uma noite amena com a lua timidamente a espreitar o mar de gente que ia chegando.

Desde muito cedo estiveram reunidas todas as condições para um desfecho em grande deste último dia do Gambôa 2007, que acabou sendo rico em variedades, estilos, ritmos e sons.

Ao longo da noite desfilaram ainda pelo palco o grupo musical “Afincão”, proveniente da República Dominicana, cuja actuação recheada em salsas e merengues, obrigou os admiradores desses ritmos a “mexerem com o esqueleto”.

Entretanto, o entusiasmo foi crescendo pela noite dentro. O público aguardava com muita expectativa a dupla de estreantes, Zé Rui e Tó Alves, que, diga-se em abono da verdade, acabaram conquistando o coração dos presentes, com a sua actuação muito interactiva suportada por banda multiracial integrada por músicos de origem cabo-verdiana, americana, francesa e um japonês que até já fala crioulo depois três dias de convívio no Gambôa.

O público foi unânime em considerar, que, na globalidade, Gambôa 2007 agradou a toda a gente. Gostou da selecção de artistas que desfilaram pelo palco, da segurança que foi montada e dos serviços de apoio.

Refira-se, que ao longo dos três dias de festa passaram pelo palco da Gambôa, referências da música cabo-verdiana, angolana, brasileira, latina – americana, portuguesa e outras.

Todavia, é de elementar justiça realçar a aderência espontânea do público à actuação

dos Ferro Gaita e do também estreante neste festival, o congolês Sakis, que, para além do seu ritmo trepidante, carregado da sensualidade africana, fez condimentá-lo ainda com as ousadas sacudidelas das ancas das bailarinas do grupo.

Mais de 70 mil pessoas passaram este ano pelo areal da praia da Gambôa

Mais de 70 mil pessoas passaram pela praia da Gambôa, na cidade da Praia, durante os três dias de festival, garantiu a Inforpress, o director da Comissão Organizadora, António Oliveira.

Segundo António Oliveira, apesar dos contratempos havidos com a pontualidade e alguns problemas de energia eléctrica, o objectivo foi cumprido no seu “global”, visto que se conseguiu reunir num só palco, artistas nacionais residentes no país e na diáspora, bem como os convidados estrangeiros.

“Nota negativa, talvez para os problemas surgidos em redor das barracas dos comes e bebes. Foram assuntos tratados com a polícia antes do início do festival, mas, que a nosso ver, não foram atendidos da forma como gostaríamos”, reclama Oliveira, avançando, que a Câmara Municipal apenas autorizou a instalação de 49 barracas, sendo 19 da edilidade e 30 da Coca-Cola.

Apesar dessa preocupação, sublinha, “notamos uma invasão de bazares não autorizados que acabaram por roubar energia a terceiros e daí a sobrecarga eléctrica verificada nos dois primeiros dias”. Além, deste pormenor, Oliveira mencionou ainda, a circulação das garrafas de vidro na areia, o que, conforme frisou, tinha sido proibida nos termos do contrato estipulado anteriormente entre a Câmara os vendedores.

“Na reunião que tivemos com a polícia ficou patente a necessidade de se fiscalizar as barracas e de mandar encerrar as que vendessem bebidas em garrafas, o que não aconteceu”, realça, admitindo contudo, que nos dois últimos anos, foi possível constatar-se uma sensível melhoria em termos de segurança no Festival da Gambôa.

Este ano, garante Oliveira, houve algumas falhas, mas, em contrapartida, a organização teve a preocupação de tomar “outras medidas”. Neste âmbito, frisou, além da Polícia de Ordem Pública contamos também com o apoio das Forças Armadas e dos Bombeiros.

Durante a entrevista, Oliveira pediu ainda desculpas aos munícipes, aos artistas e o público em geral, pelas perturbações registadas em matéria de som e manifestou ainda algum “desapontamento” face à desistência a última hora do artista Kymani Marley, filho do lendário Bob Marley, que era, inclusivamente, “cabeça de cartaz”.

Embora não tenha avançado com explicações concretas que estiveram na origem da desistência de Kymani Marley, António Oliveira avançou, que a organização do festival está a ponderar ainda sobre como agir para compensar os prejuízos.

Tenda de informação e formação ultrapassou as expectativas

A tenda de informação e formação que a Câmara Municipal da Praia realiza, anualmente, por ocasião do Festival musical da Gambôa, na Praia, este ano ultrapassou as “expectativas”, disse a Inforpress o responsável da tenda.

Conforme Jean Claude, para quem o “trabalho é gratificante”, este facto veio demonstrar que a maior parte dos jovens não sabe como usar uma “camisinha”.

“O nosso trabalho é fazer uma educação de prevenção sobre as diversas doenças sexualmente transmissíveis. Normalmente participamos com duas tendas e equipas móveis no terreno. Na tenda número 1 procuramos fazer uma triagem para saber o conhecimento do jovem, enquanto que na número 2 fazemos a demonstração prática de como introduzir a camisinha”, explicou.

Segundo Jean Claude, durante as demonstrações ficou patente, que a “maioria” dos jovens não sabem usar correctamente a camisinha. “Nestes casos, procuramos com as pessoas que aqui estão a trabalhar, demonstrar como usar e faze-los ver o quanto é importante usar bem a camisinha”, indicou.

A tenda além de informar e formar, tinha, ainda, como missão, oferecer camisinha aos jovens e transeuntes. O mais importante, segundo Jean Claude é que a equipa da tenda “não oferece camisinhas por oferecer”.

“O que fazemos é que cada um ganhe por mérito. Se não a ganhem, explica, teriam de a comprar por um preço simbólico, ou seja, cinco escudos e, com isso, tomarem “consciência” da situação quanto ao Sida no país”, finalizou.

Inforpress - www.inforpress.cv
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