| Festival da Gambôa 2006: Netinho de Paula fechou em grande |
| 22-Mai-2006 | |
Era já de madrugada, quando o artista brasileiro Netinho de Paula, uma das ou senão a maior atracção do terceiro e o último dia da XIV edição do Festival de Música da Gambôa 2006, vibrou com a “galera” cabo-verdiana.Perto de 80 mil pessoas esperavam “o rei das princesas” que aos domingos é acompanhado pelos cabo-verdianos na TV brasileira Record. Ao subir ao palco, trajando um fato lilás e com a sua banda “a pagodear”, a Praia da Gambôa arrebentou pelas costuras, o delírio era total. Uns choravam de alegria enquanto outros gritavam “Netinho vim aqui só para te ver”. “Tou emocionado. Sinto-me feliz por estar aqui em Cabo Verde. Aliás, tardou a minha chegada”, confessou Netinho de Paula, prometendo que virá “mais vezes, se Deus quiser”. Jacira Lima, uma das quatro jovens que subiu ao palco chamado pelo Netinho, não escondia a emoção, por ter abraçado o “rei das princesas” que cantou e encantou os milhares de espectadores presentes na praia de Gambôa. Pelo mesmo palco, ainda tinham passado Bulimundo e a artista cabo-verdiana residente em Portugal, Lura, uma das mais aplaudidas na madrugada de domingo. Lura fez vibrar e participar as pessoas com os sucessos do último trabalho “Di Korpu Ku Alma”. “Ela é uma excelente artista. Faz com que o público participe durante o seu show. É muito bom esta sintonia público/artista/público”, diz Peter Coller num inglês misturado com crioulo. Também Bandaliada e Rosa Mestre, a banda que veio da ilha do Sal presenteou o público de Gambôa com músicas da terra, mas pouco fizeram vibrar as pessoas que, apesar da atenção dispensada mostraram alguma apatia em relação ao grupo. Será que os cabo-verdianos são assim em relação as músicas nacionais? Creio que não, já que o artista Gilyto fechou em grande o Festival de música Gambôa 2006, juntamente com os artistas Rui Sangará (Guiné Bissau) e Dom Kikas (Angola). Apesar de alguma descoordenação entre os dois palcos montados e alguma reclamação em relação a potência do som, o público do Gamba fez um balanço positivo da programação musical da XIV edição do certame que, ainda necessita de muitas melhorias. “No plano musical, o festival de Gambôa está sempre a subir”, referiu António Oliveira, responsável cultural da Câmara Municipal da Praia, reconhecendo, contudo, que nem tudo correu bem. Aliás, alguns espectadores criticaram que “o som este ano foi fraco”. Opinião diferente de alguns entendidos na matéria, que disseram que “em termos de capacidade, a potência sonora é muito boa e forte. A questão está na capacidade dos técnicos e dos músicos em tirar proveito do som”. É aliás, estranho que nalgumas actuações o som é bom e forte e noutras não. “Fica dúvida”, disse Félix Silva e vários espectadores que acompanharam o Gambôa 2006. As feiras de gastronomia e comercial marcaram presença também no Gambôa 2006. Mas, se feira de gastronomia foi “um sucesso”, a comercial já não, devido a algum contratempo, confidenciou Carlos Lopes da organização, que diz aceitar todas criticas para que o próximo festival venha a ser muito melhor. As pessoas elogiaram o trabalho da segurança, que evolveu várias instituições, nomeadamente a Polícia de Ordem Pública, a Polícia Militar, Polícia Marítima, Guarda Fiscal, os serviços hospitalares, Cruz Vermelha e Protecção Civil. “O festival foi bom, apesar de algumas perturbações. Segundo uma fonte do posto da Polícia de Ordem Pública especialmente criado para garantir a segurança do Gambôa 2006. Não registou qualquer incidente digno de realce. Tudo decorreu na normalidade, diz a fonte policial. Palco distante dos espectadores, o atraso na actuação de alguns grupos, a não transmissão, em directo do Gambôa 2006, pela Televisão de Cabo Verde, “para garantir a venda do conteúdo audio-visual às cadeias internacionais de televisão”, foram alguns reparos feitos pelas pessoas. O festival Gambôa 2006 contou com a participação dos artistas nacionais Heavy H, Ferro Gaita, Bulimundo, Djingo, Bandaliada e Rosa Mestre. Os “cabo-verdianos da diáspora” Fidjos Kodê di Dona, Djédjé (USA), Delidle Touch,Gil Semedo (Holanda). Da comunidade lusófona, Fortinho, Gilyto e Lura (Portugal), Dom Kikas (Angola), Rui Sangará (Guiné Bissau), Banda Bafafá e Netinho de Paula (Brasil). Jorge Lopes, Inforpress - www.inforpress.cv Comentários (0)
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