| Fogo: Nhô Tchina e Mané di Papa querem salvar tradição de “reinado” |
| 05-Jan-2007 | |
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Os “Reis” Manuel Socorro Lopes, “Mané di Papa”, e Filipe Fernandes, “Nhô Tchina”, os únicos dos muitos que existiam na década de 60 e 70 do século XX, continuam, apesar da idade avançada, a travar uma luta inglória na tentativa de salvar o “reinado”, uma tradição cultural genuinamente foguense que, entretanto, está condenada a desaparecer por falta de interesse e engajamento por parte dos jovens e das instituições da cultura.
O "reinado" é assinalado, anualmente, de 6 de Janeiro até o dia das Cinzas, mas a sua origem é um pouco duvidosa e poderá, eventualmente, estar ligada à comemoração da festa dos Reis em Portugal. Nenhum dos homens envolvidos no "reinado" sabe explicar a verdadeira origem e a data da sua introdução na ilha. Alguns consideram que a tradição esteve ligada ao peditório para a construção da antiga igreja matriz de São Filipe, o que deixa entender que tem algumas centenas de anos. Os "reinados" antigamente eram constituídos por grupos de homens (três ou mais), católicos e praticantes que andavam por toda a ilha, durante três luas, a pedir ajuda a favor da igreja. De ano para ano, devido ao factor idade, os participantes na peregrinação têm diminuído e, este ano, dois grupos de dois vão sair com o objectivo de não deixarem morrer a tradição, enquanto estão com vida. Outrora assinalada com alguma pompa e brilho, o "reinado" até já chegou a fazer sair da igreja matriz 24 grupos de reinados integrados por três ou mais homens, mas, hoje, está a desaparecer. Com 80 anos contados, o “Rei” Manuel Socorro Lopes “Mané di Papa há 68 anos participa, religiosamente todos os anos, no "reinado": inicialmente acompanhando o pai e depois assumindo o seu próprio grupo. O outro “rei” que este ano também vai participar é o Filipe Fernandes, “Nhô Tchina”, com 79 anos de idade. Começou aos 16 e, desde então, todos os anos, a 6 de Janeiro, inicia o "reinado" que termina no dia posterior ao carnaval. Por preencher os requisitos como bom comportamento, saber doutrina e ser baptizado, foi recrutado por um antigo “reinado” para esta actividade cultural que, não obstante existir apenas na ilha do Fogo, não está sendo devidamente valorizada e preservada. Sabe-se que esta tradição foi tema da tese de bacharelato de um aluno da ilha do Fogo e talvez a publicação do documento poderá servir como tábua de salvação do “reinado”. Inforpress - www.inforpress.cv Comentários (0)
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