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José Maria Barreto: Palácio da Cultura não é e nunca será um elefante branco
06-Ago-2007
O Palácio da Cultura “Ildo Lobo”, na Cidade da Praia, não é e nunca será um elefante branco, garantiu o seu coordenador, José Maria Barreto, referindo-se que, neste particular “temos razões para estarmos tranquilos”. O Palácio da Cultura, que esteve sob o ‘fogo cruzado’ por um grupo de cidadãos praienses, que se insurgiu contra a instalação de um posto de cobrança da ELECTRA no espaço onde funcionava um cyber-café, assinala-se este ano oito anos de actividades.

Criado em 1999, no reinado do então ministro da, Cultura António Jorge Delgado, o papel do Palácio da Cultura tem sido, no âmbito da animação cultural, o de estimular, comparticipar e criar sinergias, de acordo com as palavras do seu coordenador, o artista plástico, José Maria Barreto.

Funcionando sem orçamento, “nem de funcionamento e muito menos de investimentos”, na lógica de ser de um espaço auto-sustentável, o Palácio da Cultura sobreviveu até agora, segundo José Maria Barreto, devido a esforços de “poucos funcionários que, de forma abnegada, trabalharam neste espaço, bem como da sociedade civil, dos agentes culturais e de personalidades diversas que ajudaram a dar vida a este espaço”.

“Ao nível de gestão, o Palácio, até agora, possui uma estrutura, incentivando sempre os agentes culturais a realizarem actividades no Palácio, a não deixarem tudo por conta das instituições estatais”, explica José Maria Barreto.

Além do coordenador, que é técnico do Ministério da Cultura, no Palácio trabalham um técnico de som, que faz papel, também, de animador cultural, um jovem artista plástico encarregado pela montagem de exposições e duas empregadas de limpeza, sendo que uma delas, quando necessário, faz igualmente papel de técnico de som.

José Maria Barreto garantiu que, durante esses oito anos de actividades, o Palácio da Cultura apoiou várias acções, através de uma agenda dinâmica de promoção da arte e da cultura.

Na área da música, assegura que desenvolveram parcerias com vários grupos existentes na cidade da Praia, e não só, que escolheram o Palácio Ildo Lobo, quer para a realização de espectáculos, quer para lançamentos de CD, como foram os casos de “Gil & Perfect”, “Ferro Gaita”, Have H, “Rabenta”, “Moças de Terra”, Vasco Martins, Orlando Pantera, Djinho Barbosa, de entre outros.

Para além de formação musical realizada pelo Palácio da Cultura e de homenagens a destacados músicos e compositores nacionais, Barreto faz questão de destacar toda a operação que levou Mayra Andrade, em 2001, a ganhar a medalha de ouro no Canadá, aquando dos IV Jogos da Francofonia, tudo organizada e coordenada pelo Palácio da Cultura.

Relativamente às artes cénicas, o coordenador do Palácio sublinha o apoio dado e a colaboração dispensada aos grupos existentes, como “Raiz di Polon”, “Fladu Fla”, “Black Panter”, “Marina Vaz” e demais grupos e actores que encontraram no “Palácio da Cultura um porto seguro”.

A este propósito, José Maria Barreto destacou a participação do grupo “Raiz di Polon” nos V Jogos da Francofonia, onde ganhou uma medalha de prata, bem uma digressão, por um mês, pela Holanda, “dada a boa cooperação existente entre a Embaixada de Holanda e o Palácio da Cultura”.

“Com a colaboração do Palácio, o contador de estórias, Américo Monteiro Fortes, mais conhecido por Xclumbumba, irá fazer um tournée pela Itália, para contar estórias aos filhos dos emigrantes cabo-verdianos”, anuncia José Maria Barreto.

De entre outras acções desenvolvidas pelo Palácio da Cultura, que incluem a área do audiovisual, semanas culturais e homenagens, Barreto sublinha as artes plásticas. Segundo ele, nesta área, o Palácio da Cultura “contribui sobremaneira”, para a “massificação desta arte”, não só na Praia, como em todo Cabo Verde, em virtude das centenas de exposições, “workshops” e ateliers de formação nos domínios de desenho e pintura.

Nesses oito anos da sua existência, José Maria Barreto garante que o Palácio da Cultura conseguiu organizar a maior colecção de arte de sempre em Cabo Verde, e que fora exposta na China, Canárias, Cuba, Senegal e Portugal.

Ainda em termos de exposições realizadas – acrescenta Barreto –, quase todos os artistas plásticos nacionais já mostraram os seus trabalhos ao grande público no referido espaço, assim como artistas Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Gana, Rússia, Senegal, Bélgica, Suiça, México, França, Israel, Holanda, Guiné-Conakry e Argentina.

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