Esqueceu a senha? Registe-se aqui
  • Narrow screen resolution
  • Wide screen resolution
  • Auto width resolution
  • Increase font size
  • Decrease font size
  • Default font size
  • default color
  • red color
  • green color

VozDiPovo-Online .::. Cabo Verde e o Mundo

Monday
Dec 01st
Capa arrow Cultura arrow Lela Violão lança primeiro álbum esta quarta-feira aos 78 anos
FPSS slide image

VDP-OL em reformulação

Caro visitante,

Estamos em processo de remodelação e reformulação. Esperamos ser breves.

Atentamente,

Amílcar Tavares.

...

Lela Violão lança primeiro álbum esta quarta-feira aos 78 anos
06-Fev-2007
Lela ViolãoLela Violão, de 78 anos, toca viola desde os oito e lança quarta-feira, na Cidade da Praia, o seu primeiro disco, um CD com 12 temas de música tradicional cabo-verdiana, garantindo que tem centenas de outras músicas para gravar. Chamado «Caldo de Rabeca» (Rabeca é uma espécie de violino), o disco será apresentado no auditório do Centro Cultural Português/Instituto Camões, e foi feito em parceria com Martin Schaefer, um músico de origem checa conhecido pelas suas criações no âmbito da música cigana da Europa Central.

Gravado há mais de um ano e à espera de apoios até agora, nele Lela Violão, na verdade Manuel Tomás da Cruz, canta em quatro faixas.

«Tenho sorte, não fumo e não bebo e ainda tenho voz», disse em entrevista à Agência Lusa, não escondendo a alegria de lançar o seu primeiro disco, embora lembrando que, como integrante do antigo grupo cabo-verdiano Simentera, está imortalizado em vários outros CD.

Mas este é diferente, até pela dificuldade em faze-lo sair, como de resto difícil tem sido também a sua vida, criando 30 filhos (29 vivos, porque um morreu já adulto num acidente de viação).

Lela tem a particularidade de tocar viola sem poder usar o dedo médio da mão esquerda (que é fundamental), depois de o ter perdido numa operação malfeita após um acidente em S. Tomé e Príncipe, quando aí trabalhou na Roça Água-Izé.

Nascido na Ilha de S. Vicente, Lela Violão começou a tocar viola aos 8 anos, de ouvido, às escondidas do pai, e aos 14, ainda sem que o pai soubesse, já tocava em bailes e festas.

Depois de trabalhar três anos em S. Tomé voltou, com 28, a Cabo Verde e nessa altura, devido ao problema do dedo, esteve quase a desistir de tocar, até porque necessitava de um trabalho que lhe sustentasse a família, que por essa altura começou a crescer.

Foi porta-minas (ajudante de topógrafo) e acabou como encarregado de construção de estradas em Santiago, a maior ilha do arquipélago, onde hoje vive. A música só teve a sua atenção a 100% depois de se reformar mas nunca deixou de, nos poucos tempos livres, fazer serenatas e actuar em espectáculos em bares e restaurantes, sem contar com a sua participação no grupo Simentera (já extinto).

Foi de resto graças ao grupo que conheceu a Europa, aos 72 anos, e recorda com muita saudade o último espectáculo do grupo em Portugal, numa vila que adorou (Sines).

Há quatro anos conheceu Martin Schaefer, que vive em Paris mas que esteve nessa altura, pela primeira vez, em Cabo Verde, para participar num espectáculo de Jazz. E o «Caldo de Rabeca» surgiu assim.

Schaefer, como contou o músico à Lusa, tem desde então vindo duas vezes por ano a Cabo Verde, onde ensina violino em vária ilhas, procurando contribuir para criar uma orquestra de cordas que inclua músicos de todo o arquipélago.

No disco que é lançado quarta-feira com o apoio de Portugal, inclui-se música «trazida» por Martin Schaefer, como uma valsa de Paris ou duas músicas irlandesas.

Lela Violão contribuiu com duas mornas (uma do compositor B.Leza), e canta até uma canção em inglês e outra em francês.

«Tenciono fazer pelo menos mais um disco antes de morrer», diz o artista, que garante ter «na cabeça» pelo menos 96 sambas brasileiros, 200 mornas e 150 coladeiras (música tradicional cabo-verdiana).

«Desde criança aprendi música, cresci entre seis meninas, fui o último a nascer. Elas ouviam música e eu ouvia e decorava, até hoje. Hoje só há uma diferença, é que me esqueci de alguns dos autores», lamenta.

Mas também lamenta que, com 78 anos, já não tenha muito tempo para deixar gravado tudo isso. E que não deixe um futuro assegurado para os seus cinco filhos menores, o mais pequeno com 5 anos.

Mas orgulha-se de ter criado as suas três dezenas de filhos. «Trabalhei para eles todos, fiquei sem nada, nem uma casa para morrer eu tenho», diz, sem queixumes mas sempre dizendo: «Se eu morrer não sei o que vai ser deles».

O disco, esse, gostava que ultrapassasse as fronteiras de Cabo Verde e aparecesse nas montras de Lisboa ou Paris. Mas pensa que não, porque é uma edição pequenina.

Fica um consolo: «fiz 78 anos a 18 de Janeiro mas ainda sou capaz de divertir com os meus dedos e a minha voz».

Diário Digital / Lusa
Comentários (0)Add Comment

A VozDiPovo-Online quer saber a sua opinião sobre esta notícia. Comente
Os comentários são escrutinados, sendo excluí­dos todos os conteúdos racistas, xenófobos, difamatórios e atentatórios da boa imagem dos visados. Antes de deixar o seu comentário, registe-se aqui. É rápido e gratuito. Se já está registado, clique na "Área do Membro" situada no topo desta página.

busy
 
CAN 2008

Inquérito

Novo embaixador pediu "mais contenção" em relação a Luanda
 

Saiba mais...

Conferência de Bali
Eleições nos EUA
CV - EU
Guiné-Bissau
Darfur
o mapa das ditaduras pelo mundo

RSS Zone

RSS
RSS FeedBurner

CABO VERDE »»

Cabo Verde

SELECÇÃO NACIONAL »»

Selecção Nacional

GIGAVOZ »»

GigaVoz

OPINIÃO FORMADA »»

Opinião Formada

SUDOKU »»

Sudoku