| Ler: Quarto romance de Jorge Araújo de jornalista e escritor luso-cabo-verdiano |
| 18-Mai-2007 | |
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Jornalista e escritor, Jorge Araújo acaba de publicar mais um livro, o quarto de uma parceria que dura desde o primeiro, com Pedro Sousa Pereira, jornalista e ilustrador. “Foi assim a minha revolução”, diz sobre ‘Cinco Balas Contra a América’ (ed. Oficina do Livro), retrato do pós-25 de Abril vivido aos 16 anos na terra natal, Mindelo, Cabo Verde, lugar de memórias e de afectos e da casa de sonho que, um dia, será sua. “Tenho uma casa na cidade do Mindelo que é a guardiã das minhas memórias, da minha família, o lugar onde me vou reabastecer de afectos. Mas gostaria de ter a casa dos meus sonhos que, como é óbvio, também fica no Mindelo. E sempre que regresso à minha cidade, uma das primeiras coisas que faço é ver se alguém me roubou o meu sonho mas sou um homem de sorte – ainda ninguém reparou nela. E eu sei que um dia será minha”, revela. O que se passou no Verão de 1974 em Cabo Verde, entre o golpe de Estado em Lisboa e a esperança na independência da colónia, era história adiada. Até agora. “O pós-25 de Abril foi o prelúdio de todas as liberdades e de todas as loucuras. Foi um fogo-de-artifício que ainda hoje ilumina a minha imaginação. Por isso este livro”, recorda. Cada livro começou por ser reportagem, por isso defende a cumplicidade entre literatura e jornalismo. “São cúmplices porque têm o mesmo suporte: a riqueza da palavra e a beleza dos sons. Contar uma história é, antes de mais, a arte de conjugar os sons. E, apesar de ser uma prática cada vez mais rara, as minhas reportagens têm sempre gente dentro”, sustenta. E para encontrar gente de carne e osso que venha a ser personagem de papel, ele sabe onde procurar. “A vantagem de ser jornalista é que as 24 horas do meu dia podem ser sempre diferentes mas gosto, sobretudo, de conhecer pelo meu pé a cidade onde vivo. É assim, muitas vezes, que encontro personagens”, diz. Do caos das ruas traz a inspiração que depois, no sossego de quatro paredes, trabalha em paz. “Para as reportagens às vezes, quanto maior a confusão melhor mas para a ficção preciso de tempo para marinar a minha loucura. Como gosto muito de caminhar, costumo dizer que as boas ideias estão, muitas vezes, na esquina de um olhar. Depois da inspiração vem o suor e muito trabalho de limpeza e embelezamento.” E brinca: “Como não uso caderninho, ando sempre cheio de papelinhos.” Autor de quatro romances, um dos quais adaptado ao teatro (‘Nem Tudo Começa com um Beijo’), esta é, afinal, a sua paixão maior. “Durante os meus tempos de universidade fiz um pouco de tudo: actor, encenador, cenógrafo, enfim, tudo o que era possível. Depois, durante 20 anos não entrei num teatro. Por receio, por medo de uma recaída. Passei essa fase e agora gostava de encenar uma peça minha”, conta. PESSOAL UM PERCURSO Estudou Comunicação e Teatro na Bélgica e foi jornalista em Cabo Verde, Londres e Portugal, nomeadamente, no ‘CM’. Jornalista premiado, também o romance de estreia, ‘Comandante Hussi’, (2003) recebeu prémio: Gulbenkian. UMA INFLUÊNCIA Dois grandes contadores de histórias, o pai e o padrinho, ambos detentores de um “dom maravilhoso”: ficcionar a realidade. UMA SAUDADE Do tempo em que cresceu entre amigos, jogos de futebol e mergulhos no mar de Cabo Verde. E do pai, sempre. UMA MÁXIMA A mesma da sua personagem preferida, Bob: “Sou dono do tempo. Amanhã é um outro dia.” Correio da Manhã - www.correiomanha.pt Comentários (0)
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