| Mayra Andrade: A minha música é terra a terra |
| 21-Jul-2006 | |
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Mayra Andrade é uma das apostas fortes do cartaz do Festival Músicas do Mundo (FMM) que hoje arranca em Porto Covo, precisamente com um concerto da cabo-verdiana. Até dia 29 passam ainda por Porto Covo e Sines nomes como Nuru Kane (senegalês), Cordel do Fogo Encantado (Brasil) e Dazkarieh (Portugal), entre outros.
Em Porto Covo, Mayra apresenta ‘Navega’, o seu primeiro CD, um disco que já está nos ‘tops’ franceses e que “levou muitos anos a preparar, para escolher os melhores músicos, condições técnicas e sonoridade mas tem muito de improviso”, garantiu a cantora ao CM. De regresso a concertos em Portugal – já actuou na Aula Magna e Coliseu (Lisboa) e no Festival Sete Sóis, Sete Luas – a cantora tem agora “muita curiosidade” quanto à reacção do público, pela estreia do seu álbum, onde canta em crioulo e francês. “Cada tema é como se fosse um filme”, explicou a cabo-verdiana a quem Cesária Évora rotulou de representante da nova geração de músicos de Cabo Verde. “Significa sobretudo que gostou da minha música”, disse a jovem de 21 anos, que já aos onze ouvira de Cesária: “O teu sucesso é o público que o faz.” Mas não foi só Cesária Évora quem reparou no talento da morena. Entre outros músicos, Mayra foi convidada a gravar um tema para a campanha contra a sida, no Brasil, onde privou com nomes como Lenine e Chico Buarque. “Ele é um pequeno rei. Fiquei admirada com a simpatia dele para comigo”, lembrou. Charles Aznavour foi outro vulto que a convidou para um dueto no recente álbum ‘Insolitement Votre’. “Ele é um monumento. Tudo gira à sua volta.” E Carlos Martins, saxofonista português, chamou-a para cantar um tema no último disco, ‘Do Outro Lado’, com arranjos de Bernardo Sassetti. Neta de um alentejano e nascida em Havana, Cuba, Mayra já correu mundo – o pai foi embaixador de Cabo Verde – vivendo em Angola, Cabo Verde, Senegal, Alemanha e França, onde vive actualmente (Paris). Visita assídua de Lisboa, onde tem familiares, a cantora diz que “Portugal é também o meu país”. Quanto à música que escolheu, denominada música do mundo (world music) “é muito terra a terra”, garante a cabo-verdiana, que também gosta de espreitar e “ter acesso ao outro meio da música, mais glamouroso”. "Se eu não canto sou infeliz" É verdade que passou a vida a saltitar por vários países? Eu nasci em Cuba mas fui logo para Cabo Verde. Depois vivi no Senegal, em Angola e na Alemanha enquanto ia e voltava para Cabo Verde. Desde os 17 anos que vivo em França. E canta desde criança? Sim, desde sempre. Tinha apenas 11 anos quando pediram à minha mãe para eu gravar um disco. Dei o meu primeiro espectáculo com 15 anos, em Cabo Verde. Foi fácil gravar o seu primeiro disco? Houve muitas oportunidades anteriormente mas gravar um disco é como ter um filho não o gravo só porque as pessoas achavam que devia gravar. Preferi actuar e tentar encontrar minha linguagem. E o que pode o público português esperar do seu espectáculo em Porto Covo? Serei eu em palco com quatro músicos um baixista, dois guitarristas e um cavaquinho. O que mais a inspira para cantar? Se eu não canto sou infeliz. Há crianças que olham para os aviões e sonham ser pilotos ou astronautas. Eu sempre quis ser cantora. Que música ouve em casa? Muita coisa. Mas há períodos em que tenho necessidade de silêncio. Correio da Manhã - www.correiomanha.pt | Jornal de Notícias - http://jn.sapo.pt Comentários (0)
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